Petrografia, geoquímica e geocronologia das rochas do orógeno Rio Alegre, Mato Grosso: um registro de Crosta oceânica mesoproterozóica no SW do Cráton Amazônico

João Batista de Matos, Johann Hans Daniel Schorscher, Mauro Cesar Geraldes, Maria Zélia Aguiar de Souza, Amarildo Salina Ruiz

Resumo


As rochas vulcano-sedimentares do orógeno do Rio Alegre ocorrem no SW do Cráton Amazônico e compreendem rochas vulcânicas máficas e ultramáficas, rochas sedimentares químicas, além de rochas intrusivas máficas a félsicas. Toda a associação apresenta metamorfismo na facies xisto-verde a anfibolito baixo. Estudos petrológicos, geoquímicos e geocronológicos permitiram a subdivisão destas rochas nas seguintes unidades: Formação Minouro (base), Santa Izabel (intermediária) e São Fabiano (topo). A Formação Minouro compreende rochas vulcânicas básicas e ultrabásicas associadas a cherts e formação ferrífera bandada. Dados de litogeoquímica indicam sua origem em bacia de retroarco ou cadeia meso-oceânica. A Formação Santa Izabel compreende lavas ácidas a intermediárias e rochas piroclásticas. A assinatura química destas rochas sugere sua geração em arcos de ilhas, o que é corroborado pelos dados U-Pb em zircão em duas rochas metadacíticas (idades de 1509 ± 10 Ma e 1503 ± 14 Ma) e T DM de 1,54 Ga e 1,48 Ga e valores de µNd(t) de + 4,3 e + 4,8 (respectivamente), indicando derivação mantélica. A Formação São Fabiano é constituída por rochas metassedimentares cujas composições químicas sugerem derivação a partir das rochas vulcânicas subjacentes. As rochas intrusivas básicas e ultrabásicas constituem complexos gabróicos diferenciados serpentinizados e seus resultados químicos indicam geração por processo de fracionamento magmático. As rochas intrusivas máficas e félsicas associadas são representadas por gabros, dioritos e granitos. As análises U-Pb em zircão nestas rochas indicaram idades entre 1481 ± 47 Ma e 1449 ± 07 Ma e T DM variando entre 1,70 Ga e 1,52 Ga com valores de µNd(t) entre + 4,1 e + 2,6 indicando também magmas manto-derivados. Os estudos petrográficos, geoquímicos e isotópicos indicam que as rochas vulcânicas básicas e ultrabásicas aqui estudadas foram geradas em ambiente de cadeia meso-oceânica ou de retroarco. As rochas vulcânicas básicas a intermediárias provavelmente foram geradas em ambiente de arco de ilha, cujas idades de cristalização apontam para o período entre 1509 - 1503 Ma. Estas rochas foram posteriormente intrudidas por rochas máficas e félsicas sugerindo a evolução de um mesmo arco magmático. Metamorfismo na facies xisto-verde a anfibolito baixo, além de transposição e milonitização são possivelmente associados com processos colisionais com o Cráton Amazônico ainda no Mesoproterozóico.

Palavras-chave


Crosta oceânica;Mesoproterozóico;Cráton Amazônico

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/s1519-874x2004000100005

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