Mudanças morfológicas da extremidade NE da Ilha Comprida (SP) nos últimos dois séculos

Daniel Rodrigues do Nascimento Jr., Paulo Cesar Fonseca Giannini, Ana Paula Burgoa Tanaka, Carlos Conforti Ferreira Guedes

Resumo


A Ilha Comprida, uma barreira holocênica constituída de alinhamentos de cordões litorâneos, tem experimentado mudanças morfológicas intensas nos últimos 200 anos em sua extremidade nordeste e arredores. Tais mudanças incluem o deslocamento do canal lagunar de Icapara para N, variações na largura local da ilha, com surgimento de um pequeno campo de dunas transgressivo, aumento da largura do canal artificial do Valo Grande (em Iguape), e surgimento e desaparecimento de feições efêmeras (tais como uma proeminência na costa e um embaiamento lagunar). A morfodinâmica da extremidade nordeste da ilha obedece à interação entre deriva litorânea, marés e aporte fluvial através do rio Ribeira de Iguape. Destaca-se que a deriva litorânea para NE, inferida por análises sedimentológicas, é o principal fator de deslocamento do canal de Icapara nesse rumo, somado a um"efeito de meandramento" do canal. Este efeito seria gerado por interação entre regime de marés e aporte fluvial, através do qual a margem norte do canal (Iguape) comporta-se como dique marginal erosivo, enquanto a margem sul (Ilha Comprida) comporta-se como barra em pontal. Desta forma, ocorre remoção de areia em Iguape e redeposição na ponta da Ilha Comprida. Embora o crescimento da barreira para NE tenha atuado em escala milenar, sua velocidade aumentou de forma significativa após a abertura do Valo Grande em 1852, que se tornou fator de incremento sedimentar na desembocadura de Icapara.

Palavras-chave


Ilha Comprida;registros históricos;morfologia;sedimentologia

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/z1519-874x2008000100003

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