Tapetes microbianos lisos estratificados do Brejo do Espinho, RJ, Brasil

Loreine Hermida da Silva e Silva, Deise de Oliveira Delfino, Fabiane Feder, Frederico Alves dos Santos Lopes, Thiago Bertoche Guimarães

Resumo


Os brejos são ecossistemas que ocupam principalmente as zonas baixas, que separam os terraços arenosos internos dos externos, e os vales dos rios e riachos. Estes ambientes são áreas permanentemente inundadas ou sujeitas às inundações sazonais, podendo permanecer secos em períodos de estiagem prolongada. A pequena profundidade e reduzida lâmina d'água nestas áreas potencializam o papel do sedimento no funcionamento do ecossistema. O Brejo do Espinho (22º56'S e 42º14' O) é um corpo aquático costeiro situado a 108 km da cidade do Rio de Janeiro, onde se observa o desenvolvimento de espessos tapetes microbianos de 2-4 cm de espessura. Visando a caracterização dos tapetes microbianos deste brejo, foram realizadas coletas mensais em cinco estações localizadas em suas margens. Amostras de tapetes microbianos foram retiradas com o auxílio de espátula, acondicionadas em frascos plásticos e posteriormente fixadas com formol a 4%. Para a identificação das cianobactérias foram confeccionadas lâminas a fresco e permanentes. Os tapetes microbianos lisos estratificados, presentes nas regiões de inframaré e entremarés, são compostos por finas laminações de coloração verde, vermelho e marrom, respectivamente, e apresentam composição cianobacteriana distinta. Estas estruturas se constituem em lâminas coesas, pouco litificadas e estratificadas, onde a análise revelou 27 espécies de cianobactérias. Nestes tapetes a família Chroococcaceae Nägeli 1849 foi a mais representativa qualitativamente com 37% da freqüência, seguida das famílias Phormidiaceae Anagnostidis & Komárek 1988 com 18,5%, Synechococcaceae Komárek & Anagnostidis 1995 com 11,1%, Pseudanabaenaceae Anagnostidis & Komárek 1988 com 11,1%, Entophysalidaceae Geitler 1925 com 7,4%, Schizothricaceae Elenkin 1934 com 7,4% e Oscillatoriaceae Gomont 1892 com 7,4%. O domínio das cianobactérias no Brejo do Espinho reflete a plasticidade destes organismos a se adaptarem as condições hostis do ambiente.

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