Biodisponibilidade de metilmercúrio, zinco e cobre em distintas frações granulométricas de solo contaminado utilizando oligoquetas da espécie Eisenia andrei

Ricardo Gonçalves Cesar, Silvia Gonçalves Egler, Helena Polivanov, Zuleica Carmen Castilhos, Ana Paula de Castro Rodrigues, Patricia Correa Araujo

Resumo


A contaminação ambiental por metais pesados tem despertado a atenção da comunidade científica devido aos severos danos provocados ao meio ambiente e à saúde humana. As zonas rurais de Descoberto, sul de Minas Gerais, foram submetidas à extração de ouro, utilizando técnicas rudimentares de beneficiamento mineral. Em dezembro de 2002, moradores locais constataram a presença de mercúrio metálico sobre a superfície dos solos, e em 2005 o perímetro crítico de contaminação, de apenas 8.000 m², foi delimitado pela Fundação Estadual de Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais (FEAM). O presente trabalho propõe a avaliação da biodisponibilidade de mercúrio, zinco e cobre em distintas frações granulométricas de uma amostra de solo coletada na área crítica de contaminação identificada pela FEAM. Para tanto, foi realizada análise granulométrica a seco do solo utilizando-se peneiras de nylon de 200 # (75 µm), 100 # (150 µm), 80 # (180 µm), 42 # (350 µm) e 10 # (1700 µm). A caracterização mineralógica foi executada por difratometria de Raios-X. Os testes de toxicidade aguda com oligoquetas seguiram as recomendações de ASTM (2004). A determinação dos metais no solo e nos oligoquetas foi efetuada por Absorção Atômica. A quantificação de metilmercúrio (MeHg) foi realizada por Cromatografia a Gás. A análise granulométrica indicou que o material possui textura extremamente arenosa. A análise química total de mercúrio (Hg), zinco (Zn) e cobre (Cu) revelaram elevadas concentrações no solo estudado, confirmando estudo previamente executado pela FEAM. Foi constatada a existência de uma afinidade entre o tamanho de partícula e o teor de metais, associada ao aumento da superfície específica de contato. Os testes de toxicidade revelaram que os oligoquetas somente absorveram Hg e Cu, e que a transposição de Zn envolveu absorção e bioacumulação para as frações granulométricas mais finas. A análise química de metais nas oligoquetas revelou que os intervalos granulométricos mais finos demonstraram maior potencial de biodisponibilidade de metais para os oligoquetas. A quantificação de MeHg denotou concentrações correspondentes a cerca de 21 a 33% do Hg total. Por fim, espera-se que os resultados possam servir como subsídio à tomada de decisão em programas de controle ambiental e de geologia médica junto à FEAM

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