Assembleia de Moluscos da Região do Pântano do Ramalho, Cabo Frio, RJ: Indicadores Biológicos de Variação do Nível Relativo do Mar Durante o Holoceno

Aline Meneguci da Cunha, Fábio Ferreira Dias, Vera Maria Medina da Fonseca, João Wagner de Alencar Castro

Resumo


Na planície costeira do Rio Una, Cabo Frio, litoral Norte do Estado do Rio de Janeiro, são encontradas evidências biológicas de variação do nível relativo do mar durante o Holoceno, representadas por acumulações muito densas e de ampla distribuição compostas predominantemente por conchas de moluscos. O presente trabalho tem como objetivo descrever uma nova ocorrência de acumulação de conchas de moluscos na região do pântano no Ramalho, planície costeira do rio Una. A área de estudo situa-se no interior do condomínio Portal de Búzios, localizado na Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106) na altura do Km 125 entre as coordenadas 22º44'53"S e 42º03'29"W. O levantamento da cota altimétrica do banco de conchas foi realizado através de rastreadores DGPS's Pro Mark 2. Para realização das análises taxonômicas, paleoecológicas e geocronológicas foram coletadas aproximadamente 1,75 dm³ de conchas de moluscos em uma trincheira de 0,50 cm, escavada na margem de uma pequena represa na área do condomínio Portal de Búzios. Aproximadamente 100 gramas de conchas da espécie Anomalocardia brasiliana foram enviadas para datação absoluta pelo método radicarbono para o Beta Analytic Inc, na cidade de Miami - Estados Unidos. Dados obtidos através de um DGPS pro mark 2 apontam uma altimetria de 0,90 m acima do nível do mar atual. Somente três espécies de moluscos foram identificadas neste depósito: Anomalocardia brasiliana, Crassostrea rizophorae e Lucina pectinata. A. brasiliana e L. pectinata têm hábito infaunal não aderido, vivem em fundos arenosos ou lamosos. C. rizophorae tem hábito epifaunal aderido, vivem em substratos rochosos e de cascalho. As três espécies apresentam cotas batimétricas variando entre 0 a 30 m de profundidade. A maior parte das conchas encontradas se apresenta com baixo grau de fragmentação e corrosão, indicando pouco ou nenhum transporte. Algumas conchas de L. pectinata e A. brasiliana encontram-se articuladas, e as conchas de C. rizophorae encontram-se incrustadas nas conchas das outras espécies. A idade convencional do depósito é de 5.780 ± 70 A.P., calibrada pelo programa CALIB 5.0, em 5.997 - 6.333 anos cal. A.P. Esses dados são similares às idades encontradas em depósitos análogos ao longo do litoral norte do estado do Rio de Janeiro.

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