Associações de Foraminíferos em Resposta a Variações Ambientais da Laguna de Aveiro – Portugal

Maria Virgínia A. Martins, Lazaro L.M. Laut, Frederico S. Silva, Paulo Miranda, João Graciano de Mendonça-Filho, Sandra Fernández-Fernández, Sílvia S. Sousa, Maria Antonieta da Conceição Rodrigues, André R. Rodrigues, Cintia Yamashita, Edilson O. Faria, Raquel R. de Oliveira, Renata H. Nagai

Resumo


Este estudo baseia-se na caracterização do ambiente sedimentar de locais selecionados em canais e salinas da cidade de Aveiro, na zona central leste e na zona norte da Ria de Aveiro. Nessa caracterização foram utilizados os resultados de parâmetros físico-químicos medidos na água e nos sedimentos, assim como dados granulométricos, geoquímicos e microfaunais (foraminíferos bentônicos). Os fatores condicionantes da variabilidade espacial e sazonal das associações viva e morta de foraminíferos foram avaliados em dois períodos de amostragem: no final do verão e no final do inverno, tendo em vista a análise da resposta destes organismos ao impacto causado pela poluição e variação sazonal dos parâmetros físico-químicos. Os resultados bióticos e abióticos foram analisados para discriminar locais com diferente grau de estresseambiental. As condições de salinidade, temperatura, pH e Eh nos locais estudados variam espacial e sazonalmente. O sedimento nesses locais é em geral mal oxigenado, subóxico ou mesmo anóxico em alguns milímetros abaixo da superfície. Alguns dos locais encontram-se afetados por contaminantes químicos derivados de efluentes industriais e urbanos. As zonas mais poluídas por metais pesados como o As, Cr, Cu e Zn incluem o Porto de Salreu, Largo do Laranjo e alguns locais da Cidade de Aveiro. As associações de foraminíferos, nos locais estudados, integram espécies euritérmicas e eurihalinas comuns em ambientes lagunares e estuarinos, sendo majoritariamente tolerantes à redução de oxigênio. A dimensão das comunidades vivas de foraminíferos foi reduzida e a sua estrutura afetada pelo aumento das concentrações de metais pesados como As, Cr, Cu e Zn, assim como, pela variabilidade dos parâmetros ambientais, nomeadamente o Eh, relacionado com as condições de oxigenação do sedimento. Os dados indicam que as condições adversas podem ser causa de morte destes organismos. Sugerem também uma maior tolerância destes organismos ao enriquecimento por Pb, desde que o meio lhes proporcione abundância de alimento.

Palavras-chave


Variabilidade espacial e temporal; Ecologia; Foraminíferos bentônicos; Poluição; Metais pesados; Enriquecimento orgânico

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DOI: http://dx.doi.org/10.11137/2015_2_56_69

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