Geologia da Faixa Eclogítica de Forquilha, Domínio Ceará Central, noroeste da Província Borborema

Matheus Fernando Ancelmi, Ticiano José Saraiva dos Santos, Rafael Augusto Reginato, Wagner da Silva Amaral, Lena Virgínia Soares Monteiro

Resumo


A partir de mapeamento geológico em escala de detalhe, 1:10.000, e estudo petrográfico sistemático foram caracterizados o modo de ocorrência, a distribuição e as associações minerais do retroeclogito de Forquilha, que situa-se em uma faixa N-S ao longo de mais de 16 km na região NW da Província Borborema. Tais rochas ocorrem como boudins em gnaisses orto- e paraderivados e, raramente, associados a rochas cálcio-silicáticas. Esta associação compõe a Faixa Eclogítica de Forquilha, que estruturalmente está em contato tectônico de empurrão com metapelitos e corpos subordinados de rochas metacarbonáticas e metamáficas metamorfizadas entre condições fácies granulito de alta pressão e fácies anfibolito superior pertencentes ao Grupo Ceará. O retroeclogito mostra três principais estágios de retrometamorfismo representados pelas seguintes reações: 1º) [Grt + Cpx + Qtz + H2O → Pl + Amp] e [Grt + Cpx + Rt + Qtz + H2O → Amp + Ilm + Pl]; 2°) [Omp → Di + Pl]; 3º) [Grt + Di + Pl + H2O → Amp] e [Grt + Pl + Qtz + H2O → Grt2 + Pl (An) + Amp], além de incipiente formação tardia de Fe-clorita e actinolita. O retrometamorfismo ocorreu de forma heterogênea nestes corpos, sendo mais intenso nas bordas devido à interação com fluidos metamórficos canalizados ao longo de zonas de cisalhamento durante o processo de exumação progressiva. A ocorrência de retroeclogito em Forquilha é importante para a contextualização da evolução tectônica da Província Borborema durante a formação do Gondwana Ocidental, uma vez que este litotipo pode representar uma zona de sutura neoproterozoica.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.5327/Z2317-48892013000200004

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


SCImago Journal & Country Rank