Radar de penetração no solo aplicado à caracterização de estruturas tectônicas miocênicas e quaternárias no leste da ilha do Marajó (PA)

Lena Simone Barata Souza, Dilce de Fátima Rossetti, Renato Luiz Prado

Resumo


Existem várias inferências sobre reativações neotectônicas na ilha do Marajó, porém faltam estudos para demonstrar a presença inequívoca de estruturas que comprovem esses eventos. O objetivo deste trabalho é registrar estruturas tectônicas em subsuperfície rasa na porção oriental da ilha por meio do método geofísico eletromagnético de radar de penetração no solo (GPR). A análise de seções de radar resultou no reconhecimento de nove categorias de reflexões, designadas: caótica, divergente, paralela a subparalela, ondulante, hiperbólica, em canal, em mound, sem reflexões e superfície estratigráfica. Os últimos refletores são de frequência e amplitude altas, sendo correlacionáveis por toda a área de estudo, o que levou à sua utilização como marco estratigráfico entre duas unidades de radar. A combinação de dados de radar com informações geológicas permitiu concluir que a unidade inferior corresponde aos depósitos miocênicos da Formação Barreiras e a unidade superior aos sedimentos pós-barreiras, de idade pleistocênica tardia e holocênica. A superfície estratigráfica reflete a discordância do topo da Formação Barreiras, sendo salientada nas seções de radar por concreções ferruginosas relacionadas a paleossolo laterítico de extensão regional. A análise das seções de radar mostrou que os estratos da Formação Barreiras estão fortemente deslocados por falhas verticais a subverticais, tendo-se reconhecido falhas normais e estruturas "em flor", sugestivas de transcorrência. Embora em menor grau, as falhas se prolongam para cima, afetando também os sedimentos pós-barreiras. O brusco desaparecimento de refletores relacionados à discordância do topo da Formação Barreiras para oeste e norte da área de estudo, onde esta unidade é substituída por estratos quaternários, levou a concluir que, muito provavelmente, estas localidades sofreram subsidência, tornando-se sítios de sedimentação renovada no Quaternário. Além de falhas, a base da Formação Barreiras contém amplas reflexões ondulantes que foram atribuídas a dobras sinclinais e anticlinais. A ocorrência dessas feições somente na base da Formação Barreiras permite formular a hipótese de deformação por compressão ainda durante a sedimentação dessa unidade, ou seja, no Mioceno. A ocorrência associada de falhas e dobras nos estratos miocênicos e de falhas nos sedimentos quaternários pode ser reflexo de reativações de falhas transcorrentes. Estas estariam ligadas aos últimos estágios de desenvolvimento dos sistemas riftes ao longo da margem passiva equatorial brasileira.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S2317-48892014000100006

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


SCImago Journal & Country Rank