Insólita espessura de uma sucessão de lençol de areia: Formação Bandeirinha, Proterozoico, Minas Gerais

Fábio Simplicio, Giorgio Basilici

Resumo


Em alguns lençóis de areia eólica atuais existem dunas pequenas e largas, chamadas zibars, como tipo comum de morfologia deposicional. Sua formação é relacionada a diferentes fatores de estabilização, os quais reduzem a disponibilidade de materiais clásticos para os processos eólicos. De fato, os zibars são dunas que não tiveram tempo para se desenvolver como grandes dunas (protodunas). As dunas dos lençóis de areia (zibars) geralmente são construídas por laminações de marcas onduladas de vento e comumente geram sucessões com menos de 20 m de espessura, consequência da baixa oferta de sedimento. Este estudo trata de uma sucessão sedimentar com depósitos de lençóis de areia de espessuras incomuns, com mais do que 50 m de espessura, encontrados na Formação Bandeirinha, de idade Proterozoica. Este trabalho tenta explicar essas espessuras anômalas de depósitos de lençol de areia. A elevada espessura desses depósitos deve-se provavelmente ao grande aporte de material clástico no sistema, combinado com a baixa disponibilidade de sedimentos, que não permitiu a formação de dunas com faces de deslizamento, mas somente de protodunas (zibars). Cimentação precoce, causada pela evaporação de água salina próxima à superfície, tem sido proposta como principal fator para a redução da disponibilidade de areia neste sistema eólico. Finalmente, os processos de subsidência relacionada aos primeiros estágios de rifteamento da Bacia Espinhaço devem ter gerado o espaço de acomodação para preservar a sucessão de lençol de areia.

Palavras-chave


Lençol de areia; Zibar; Rios efêmeros; Formação Bandeirinha; Paleoproterozoico.

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2317-4889201530133

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