A glaciação fameniana na porção leste da Bacia do Parnaíba: evidências do avanço e recuo de geleira na Formação Cabeças

Roberto Cesar de Mendonça Barbosa, Afonso César Rodrigues Nogueira, Fábio Henrique Garcia Domingos

Resumo


Estruturas glaciotectônicas estudadas nos depósitos siliciclásticos da Formação Cabeças do Devoniano Superior representam a primeira evidência da glaciação fameniana na borda Sudeste da Bacia do Parnaíba, no Norte do Brasil. A análise estratigráfica e faciológica em combinação com estudos geométrico-estruturais desses depósitos permitiram definir três associações de fácies (AF) representativas de um ciclo de avanço-recuo de geleira, a saber: associação de fácies de frente deltaica (AF1), composta por pelitos maciços, arenitos finos a médios com estratificação cruzada sigmoidal e conglomerado maciço, organizados em ciclos grano- e estrato-crescentes; associação de fácies subglaciais (AF2), consistindo de diamictitos maciços seixosos (seixos de arenito, pelito e rochas vulcânicas) e feições deformacionais, tais como brechas intraformacionais, sills e diques clásticos de diamictitos, dobras, falhas normais e de cavalgamento, pods de arenitos e plano de descolamento; e associação de fácies de frente deltaica de degelo (AF3), constituída por arenitos maciços ou laminados (estratificação plano-paralela e/ou cruzada sigmoidal), localmente com deformações sin-sedimentares. Três fases deposicionais são indicadas para os depósitos da Formação Cabeças: instalação de um sistema deltaico (AF1), advindo de áreas soerguidas do Sudeste da bacia; avanço de geleiras costeiras, que causa cisalhamento tangencial e erosão do substrato (AF1), em zona subglacial (AF2), desenvolvendo superfície de descolamento, rompimento e rotação de camadas arenosas ou pods imersos em diamicton; e recuo das geleiras acompanhado pelo aumento relativo do nível do mar, pela instalação de um sistema deltaico de degelo de alta energia (AF3) e processos de alívio de pressão que geram falhas normais, escorregamento de massa, dobras e injeções de diques e sills. O aumento contínuo do nível do mar levou à deposição dos sedimentos finos da Formação Longá na zona de transição offshore/shoreface no início do Carbonífero.

Palavras-chave


Formação Cabeças; Estruturas glaciotectônicas; Glaciação fameniana; Bacia do Parnaíba.

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2317-4889201530147

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