Idade, proveniência e ambiente tectônico do Complexo Jequitinhonha de alto grau, Orógeno Araçuaí

Tatiana Gonçalves Dias, Fabrício de Andrade Caxito, Antônio Carlos Pedrosa-Soares, Ross Stevenson, Ivo Dussin, Luiz Carlos da Silva, Fernando Alkmim, Márcio Pimentel

Resumo


O Complexo Jequitinhonha é uma unidade sedimentar extensa da porção nordeste do orógeno Araçuaí, metamorfizada na transição entre as fácies anfibolito-granulito há cerca de 580–540 Ma. A unidade é composta por paragnaisses kinzigíticos com intercalações de grafita-gnaisse, quartzito e rochas calcissilicáticas. Dados U-Pb de zircão detrítico de uma amostra de quartzito e novos dados geoquímicos (nove amostras) e isotópicos (Sm-Nd) (dez amostras) são aqui apresentados. De maneira concomitante a dados previamente publicados, esses dados mostram que: (1) a geoquímica dos paragnaisses sugere uma afiliação do tipo margem passiva para as rochas metassedimentares; (2) zircões detríticos apresentam populações de idade U-Pb entre 0,9 e 2,5 Ga; e (3) dados isotópicos de Nd apresentam idades modelo TDM entre 1,6 e 1,8 Ga e εNd(575 Ma) ao redor de -7,5. Esses dados revelam uma mistura de fontes, envolvendo magmatismo de rift Criogeniano a Mesoproterozoico e o embasamento Paleoproterozoico-Arqueano do paleocontinente São Francisco-Congo, e sugerem uma forte correlação entre o Complexo Jequitinhonha e o Grupo Macaúbas, compondo a mais importante bacia precursora do orógeno Araçuaí. Além da natureza exclusivamente sedimentar do complexo, fatias ofiolíticas não foram encontradas na área, reforçando a interpretação da terminação ensiálica de um golfo e que o paleocontinente São Francisco-Congo não foi separado ao norte da região, agindo como uma única peça durante o Neoproterozoico.


Palavras-chave


Gnaisse kinzigítico; Complexo Jequitinhonha; Orógeno Araçuaí; Gondwana Ocidental.

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2317-4889201620160012

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