AQUISIÇÃO DE VISÃO ESPACIAL PELO ESTUDO TEÓRICO-PRÁTICO DE ESTRUTURAS TECTÔNICAS EM DIFERENTES ESCALAS DE OBSERVAÇÃO

ALEXIS ROSA NUMMER, CELSO DAL RÉ CARNEIRO

Resumo


Estrutural. As dificuldades aumentam no estudo de estruturas de grande porte no campo, em lugar de representações em sala-de-aula ou laboratório. Esta nota discute experiência pedagógica conduzida no curso de graduação em Geologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, envolvendo atividades de campo de caráter motivador e indutivo. Aproveitaram-se os conhecimentos prévios dos alunos, de modo a levá-los a redescobrir dobras de grande porte em área de rochas pré-cambrianas, com excelente aproveitamento cognitivo, de visualização espacial e de motivação. O método desenvolvido possibilitou a cada estudante perceber, com relativa facilidade, feições de grande porte existentes. Recuperou-se o entusiasmo de alunos desmotivados, graças ao entrelaçamento teoria-prática. Para incorporar o cotidiano do aluno, foram realizados workshops, discussões, questionários individuais e formação de grupos de trabalho, detectando-se elementos como: (a) relacionamento entre alunos; (b) objetivos e perspectivas no curso; (c) pretensão dentro e fora da futura atividade profissional; (d) conhecimentos prévios de geologia e entendimento sobre a contribuição dessas noções na disciplina; (e) avaliação de conceitos de geometria que auxiliassem o desempenho e a visão espacial de formas da natureza. O professor adotou postura aberta e flexível, analisando a produção e identificando características individuais, problemas, habilidades e deficiências específicas dos alunos. Indagações ficariam sem respostas imediatas, como incentivo à discussão e para estimular que fossem desenvolvidas pêlos alunos, segundo o mecanismo no qual o aluno "pensa e faz ciência", procurando definir relações e associações entre processos e feições naturais. Em cada uma das situações evitou-se esgotar os assuntos. O trabalho de campo inicial foi motivador, sem participação dirigida do professor; a segunda excursão teve caráter eminentemente treinador no início e indutivo no final, pois os alunos já dispunham de conceitos básicos sobre estruturas em corpos rochosos. Embora tenha sido invertida a ordem usual, fazendo-se a prática antes da teoria - das relações entre diferentes escalas de observação - a atividade atingiu os níveis cognitivos de análise, síntese e avaliação, com participação equilibrada de alunos e professor. A atividade foi indutiva pois o docente que havia selecionado os melhores afloramentos do perfil não sabia da existência de uma megadobra; entretanto, ele identificou algumas características diagnosticas dessa dobra regional antes dos estudantes. Pode-se afirmar que as dificuldades desse salto conceituai propiciaram a realização de uma atividade investigativa.

Palavras-chave


Ensino da geologia; Visão espacial; Geologia estrutural.

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