O DEPÓSITO BAHIA: UM POSSÍVEL EXEMPLO DE DEPÓSITO DE SULFETO VULCANOGÊNICO TIPO BESSHI ARQUEANO EM CARAJÁS

MARIA DO CARMO OLIZ ALMADA, RAIMUNDO NETUNO VILLAS

Resumo


O depósito Bahia está hospedado no Grupo Igarapé Bahia, de idade arqueana, que ocorre na Província Mineral de Carajás (SE do Pará). Esse grupo é constituído por rochas metavulcânicas básicas, metapiroclásticas e metassedimentares elásticas, além de formações ferríferas bandadas e brechas, sendo cortado por diques de composição básica. Todo esse pacote rochoso apresenta-se hidrotermalmente alterado para associações minerais compatíveis com as condições da fácies xisto verde. O depósito Bahia è constituído pelos corpos Acampamento Norte, Acampamento Sul, Furo Trinta e Alemão. Nos três primeiros o minério é disseminado e está hospedado sobretudo em brechas. No último, de descoberta mais recente, destacam-se lentes de sulfeto maciço. As brechas ocorrem no contato, hoje verticalizado, entre as rochas metavulcânicas básicas e metassedimentares elásticas, e apresentam, geralmente, contatos gradacionais com as rochas encaixantes. Os clastos são originários de metabasaltos e de formações ferriferas bandadas, constituindo fragmentos angulosos a subangulosos. A matriz consiste de clorita, siderita, calcopirita, quartzo, magnetita, turmalina e calcita. A razão matriz/clastos é variável e algumas brechas mostram leve foliação da matriz e orientação dos clastos. A essas brechas é sugerida uma origem freática, cujos fragmentos foram retrabalhados e transportados para zonas mais profundas por correntes de detritos. Nas brechas, a mineralização também gerou veios e bolsões nos quais os sulfetos juntam-se ao quartzo e/ou siderita e é mais enriquecida em cobre e ouro do que nas rochas encaixantes. A calcopirita e a pirita são os principais sulfetos em todos os tipos litológicos, mas também ocorrem bomita e concentrações maciças de magnetita. Este óxido está presente ainda nos abundantes fragmentos de formação ferrífera bandada que compõem as brechas. Cloritização, carbonatação, magnetitização e sulfetação são os mais importantes tipos de alteração hidrotermal, registrando-se, de forma subordinada, também silicificação e turmalinização. A cloritização afetou quase todas as rochas em maior ou menor grau. Estudos em cristais de quartzo revelaram inclusões aquosas bifásicas e trifásicas quimicamente representadas pelo sistema H2O-NaCl-CaCl2 com salinidade variável (5,3-41,5% em peso eq. NaCl). Também foram constatadas inclusões com CO2 puro. As temperaturas de homogeneização foram mais frequentes nos intervalos de 110-140°C para inclusões bifásicas e 150-225°C para inclusões trifásicas aquosas. Os fluidos aquosos foram interpretados como água do mar modificada que circulou através das rochas subjacentes por movimento convectivo, não se afastando a hipótese de contribuição magmática para as soluções de salinidade superior a cerca de 23% eq. em peso de NaCl. Já os fluidos carbônicos são de provável fonte mantélica. As características do depósito Bahia favorecem a interpretação de depósito vulcanogênico tipo Besshi, que pode ter incorporado, durante eventos posteriores, urânio e terras raras que nele ocorrem em teores anômalos.

Palavras-chave


Brechas freáticas; Alteração hidrotermal; Inclusões fluidas; Sulfetos vulcanogênicos.

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