FÁCIES SEDIMENTARES E SISTEMAS DEPOSICIONAIS DAS FORMAÇÕES ALTO GARÇAS E VILA MARIA NA REGIÃO DE CHAPADA DOS GUIMARÃES (MT), BORDA NOROESTE DA BACIA DO PARANÁ

MARCIO IVAN CARVALHO MOREIRA, LEONARDO BORGHI

Resumo


O intervalo Ordoviciano-Siluriano da bacia do Paraná, aflorante na região dos municípios de Chapada dos Guimarães, Campo Verde e Santo António do Leverger (MT), é representado pelas formações Alto Garças e Vila Maria. Este intervalo caracteriza-se, simplifïcadamente, por dezesseis litofácies e duas icnofácies. Dentre as litofácies, são identificadas nove rudíticas, seis areníticas e uma lutítica. As litofácies rudíticas denominadas de conglomerado maciço (Cm), conglomerado em camadas tabulares (Ct), conglomerados e arenitos intercalados em camadas tabulares (Ct(H)), conglomerado com estratificação cruzada (Ce), diamictito maciço (Dmm), diamicíito maciço ressedimentado (Dmm(r)), diamictito estratificado (Dms), diamictito estratificado com ação de corrente (Dms(c)) e diamictito estratificado ressedimentado (Dms(r)); as litofácies areníticas, de arenito maciço (Am), arenito em camadas tabulares (At), arenito com laminação cruzada cavalgante (Ac l), arenito com estratificação cruzada (Ac2), arenito com laminação cruzada ondulada (Ao) e arenitos e folhelhos intercalados em acamamento flaser, wavy e linsen (Ao(H)); e a lutítica, de folhelho com clastro caído (Fld). Já as icnofácies identificadas são Skolithos (Sko), pela presença de Skolithos linearis, Arenicolites ichnosp. e Diplocraterion ichnosp., e Cruziana (Crz), pela presença de Arthrophycus alleghaniensis, Palaeophycus tubularis, Aulichnites ichnosp., Lockeia ichnosp., Chondrites ichnosp. e Teichichnus ichnosp. Essas fácies foram relacionadas em 4 sistemas deposicionais: sistema fluvial (SF - fácies Ce), sistema marinho raso rudáceo (SMRrud - fácies Ct, Ct(h), Cm, At, Ac2, Crz), sistema marinho raso arenáceo (SMRarn - fácies Am, At, Ac2, Ao, Ao(H), Sko) e sistema glaciomarinho (SG - fácies Dmm, Dmm(r), Dms, Dms(r), Dms(c), Acl, Fld, Crz). A Formação Alto Garças, com base na associação At, Am e Sko, é interpretada como o SMRarn. A Formação Vila Maria é caracterizada por uma sucessão de (i) camadas da fácies Ce, interpretadas como um depósito fluvioglacial do SF; (ii) camadas da fácies Ct(H), interpretadas como depósitos de face-de-praia do SMRrud; (iii) camadas das fácies Ct e At, interpretadas como depósitos de antepraia proximal dominado por tempestades do SMRrud; (iv) camadas da fácies At, Ct e Crz, interpretadas como depósitos de antepraia distai dominado por tempestades do SMRrud; (v) fácies de diamictito, fácies Fld, Crz, Acl, interpretadas como SG; (vi) camadas da fácies At, Crz, Ct, Ac2, interpretadas como depósitos de antepraia proximal e distai dominada por tempestades do SMRrud; (vii) e camadas das fácies At, Sko, Ao, Ao(H), interpretadas como depósitos lagunar e de antepraia proximal dominada por tempestades do SMRarn.

Palavras-chave


Fácies sedimentar; Sistema deposicional; Ordoviciano; Siluriano; Bacia do Paraná; Formação Vila Maria; Formação Alto Garças.

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