CONDIÇÕES DE FORMAÇÃO DE ROCHAS MAGMÁTICAS CHARNOCKITICAS DO MACIÇO VÁRZEA ALEGRE, ESPÍRITO SANTO, SUDESTE DO BRASIL

J.C. MENDES, CRISTINA M. WIEDEMANN, IAN McREATH

Resumo


O maciço intrusivo de Várzea Alegre, porção central do Estado do Espírito Santo, é um exemplo do magmatismo tardi a pós-tectônico relacionado a um arco magmático de idade Neoproterozóica dessa região. É um pluton aproximadamente circular e inversamente zonado, encaixado em orto e paragnaisses de grau metamórfïco alto. No centro do pluton ocorrem gabros que são envolvidos sucessivamente por dioritos/quartzo dioritos, monzodioritos e granitos megaporfiríticos, estando todos os litotipos circundados por um anel largo e irregular de rochas charnoquíticas (opdalitos, jotunitos, opx-quartzo dioritos e quartzo mangeritos). Os charnockitóides são constituídos por plagioclásio, alkali feldspato pertítico/mesopertita, ortopiroxênio, biotita, hornblenda, ilmenita, magnetita, pirita, apatita, zircão e rara allanita e hematita. A composição química destas rochas indica um magmatismo cálcio-alcalino de alto K enriquecido em elementos LIL e HFS. O ortopiroxênio (Wo1,6-2,5, En30,4-41,2 e Fs57-67,4)é parcialmente substituído por biotita, anfibólio e minerais opacos. Os anfibólios têm variações pequenas nos teores de Al e sua composição varia de hornblenda Mg-hastingsítica a hastingsita magnesiana. Biotita, com altos conteúdos de Ti, tem composições próximas ao membro extremo annita. XMg dos ortopiroxênio, anfibólio e biotita são maiores do que aqueles calculados para as rochas hospedeiras. Os feldspatos da matriz e os megacristais apresentam variação composicional semelhante. Os plagioclásios variam de Âb65An32 a Ab57 An40, com pequenas variações na molécula de Or. Diferentes graus de exsolução do componente albita justificam as variações encontradas nas composições dos feldspatos alcalinos (Or89Ab11 a Or69 Ab31). O grau de saturação em Zr e P2O5 das rochas charnockitóides do maciço de Várzea Alegre indica temperaturas de cristalização em torno de 950°C. As temperaturas subsolidus, estimadas através dos pares ilmenita-magnetita e plagioclásio-alcali feldspato, são entre 550°C e 630°C, enquanto que os valores estimados para a pressão de cristalização estão entre 6,5 e 7 kb. Os valores calculados para a fO2 são compatíveis com condições fortemente redutoras, o que é confirmado pelas baixas razões Mg/(Mg+Fe) das rochas.

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