AS INTRUSÕES ALCALINA E SHOSHONÍTICA NA REGIÃO DO PLATO DO TAQUAREMBÓ, SUL DO BRASIL: ELAS SÃO GENETICAMENTE RELACIONADAS?

MARIA DO CARMO P. GASTAL

Resumo


O maciço granítico Santo Antônio e o complexo anelar Leões representam, respectivamente, as associações magmáticas de natureza shoshonítica e alcalina na região do Platô do Taquarembó, extremo sul do Brasil. As duas associações incluem rochas vulcânicas cogenéticas, e todo o conjunto faz parte dos eventos magmáticos do final do Ciclo Brasiliano (540-620 Ma) no Escudo Sul-riograndense. O maciço granítico Santo Antônio é composto por monzogranitos e quartzo monzonitos, enquanto o complexo anelar Leões é composto por monzodioritos e quartzo sienitos. A comparação de elementos maiores e traço das duas associações, incluindo também rochas básicas a intermediárias de outras regiões do escudo, revela que seus magmas parentais são originados a partir do manto litosférico levemente enriquecido em elementos incompatíveis, e que as diferenças se devem a particularidades na gênese e na evolução em câmaras magmáticas diferentemente posicionadas na crosta. No modelamento de elementos traço para fusão parcial no manto superior partiu-se da composição do manto litosférico empobrecido por eventos prévios de fusão e subseqüentemente enriquecido em elementos incompatíveis. Os resultados indicam que baixos percentuais de fusão parcial (2-3%) e variações na proporção de granada/clinopiroxênio desta fonte são suficientes para explicar os principais contrastes nos padrões de ETR das rochas menos diferenciadas de ambas associações, embora a maior diversidade de magmas parentais shoshoníticos seja também sugerida. Este modelamento não explica o comportamento de alguns elementos LIL e HFS, como Ba, Rb, Y, Zr, Nb e Ti. Da mesma forma, as divergências constatadas são dificilmente ajustadas à influência diversificada de subducção, ou mesmo, à assimilação de segmentos infracrustais pelos magmas basálticos. A mistura dos magmas mantélicos com líquidos produzidos por fusão parcial de rochas infracrustais, com diferentes composições e em diferentes condições, é capaz de acomodar as peculiaridades composicionais dentro de cada e entre as duas associações. Nos tipos shoshoníticos, tais contrastes são explicados pela mistura com líquidos derivados de rochas básicas a intermediárias por fusão parcial em condições hidratadas e pressões da base da crosta, ou em condições de subsaturação em água e pressões do manto superior. Para os tipos alcalinos, estariam envolvidas composições mais evoluídas e similares aos granulitos regionais, e o menor grau de fusão parcial em condições de subsaturação em água. Desta forma, a transição dos eventos magmáticos shõshonítico-alcalino pode ser pensada como devida a mudanças nas regiões fontes mantélicas e crustais associadas a modificações na tectônica regional, com o predomínio de regime extensional durante a produção de magmas alcalinos. No platô do Taquarembó, os contrastes composicionais nos magmas parentais das duas intrusões, produzidos desta forma, foram posteriormente ampliados durante sua evolução em câmaras magmáticas diferentemente posicionadas na crosta. A intrusão shoshonítica representa os primeiros episódios magmáticos evoluídos a partir de câmaras magmáticas menores e mais profundas na crosta, enquanto a intrusão alcalina e rochas vulcânicas correlatas registram a diferenciação em câmaras magmáticas maiores e mais rasas, caracterizadas pela diversidade de processos de fracionamento.

Palavras-chave


Magmatismo alcalino (super)saturado em silica; Shoshonítico; Magmatismo do Ciclo Brasiliano; Interação manto-crosta.

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