ESTRATIGRAFIA DOS GREENSTONE BELTS DE GOIÁS E FAINA: UMA NOVA PROPOSTA

MARCELO GONÇALVES RESENDE, HARDY JOST, GRANT ALAN OSBORNE, AUGUSTO GONÇALVES MOL

Resumo


A porção sul dos terrenos arqueanos de Goiás contém um greenstone belt estruturado em um sinclinório NW-SE, com 150 km de comprimento e 7 km de largura média e interpretado, no passado, como uma única faixa. Novos dados litológicos e estruturais mostram que a faixa é formada por dois segmentos alóctones (Goiás e Faina) com conteúdos estratigráficos distintos e justapostos por uma falha destral NE. O contato dos complexos granito-gnáissicos com as rochas supracrustais é ora tectônico, ora intrusivo e a aloctonia dessas indica que os complexos não são rochas do embasamento original. As seções inferiores de ambas as faixas são idênticas (Grupo Santa Rita) e contêm, da base para o topo, metakomatiitos (Formação Manoel Leocádió) e metabasaltos (Formação Digo-Digo). Na Faixa Goiás, a Formação Digo-Digo é subdividida em um Membro Inferior (metabasaltos) e um Superior (rochas metapiroclásticas félsicas), esse último ausente em Faina. Os metabasaltos dão lugar, em ambas as faixas, a espessas sequências metassedimentares. O registro metassedimcntar da Faixa Goiás é representado pelo Grupo Fazenda Paraíso, subdividido, da base para o topo, nas Formações Fazenda Limeira e Fazenda Cruzeiro. A primeira tem um Membro Inferior de xistos carbonosos e um Superior de metachert, formações ferríferas, calcixistos e mármores. A Formação Fazenda Cruzeiro consiste de metarritmitos siliciclásticos. Em Faina, o registro mctassedimentar é representado pelo Grupo Furna Rica, subdividido, da base para o topo, nas Formações Fazenda Tanque, Serra de São José e Córrego do Tatu. A Formação Fazenda Tanque repousa em discordância sobre metabasaltos do Grupo Serra de Santa Rita e contém um Membro Inferior de ortoquartzi tos e lentes de metaconglomerado com clastos de metavulcânicas máficas e ultramáficas, um Intermediário de metapelitos e um Superior de xistos carbonosos e formações ferríferas. A Formação Serra de São José repousa em discordância sobre a Formação Fazenda Tanque e contém um Membro Inferior de ortoquartzitos e um Superior de metapelitos com raros quartzitos. A Formação Córrego do Tatu contém um Membro Inferior de mármores e um Superior de formações ferríferas. Os contrastes no registro sedimentar entre as faixas é interpretado como fruto de distintos ambientes paleogeográficos e regimes deposicionais. Em Goiás, a sedimentação ocorreu em ambiente marinho profundo e progrediu para ambiente mais raso, ao passo que em Faina a sedimentação foi plataformal em dois ciclos transgressivos de profundidade crescente. Dados gcoquímicos de rochas detríticas ao longo das seções estratigráficas mostram que a idade modelo Sm/Nd (TDM) da área-fonte decresce de 3.1 a 2.8 Ga e que a carga elástica dos protólitos derivou rochas máfico/ultramáficas, com aumento de uma componente félsica para o topo. O núcleo do sinclinório da Faixa Goiás contém, ainda, uma estreita faixa de metaconglomcrados e ortoquartzitos (Sequência Serra do Cantagalo) de idade modelo Sm/Nd de 2.3 Ga. A sequência está invertida e sobrepõe-se ao greenstone belt por uma falha de empurrão e ambas delineiam o sinclinório regional, indicando que a estrutura não é de idade arqueana, mas no máximo paleoproterozóica.

Palavras-chave


Goiás; Greenstone Belts; Estratigrafia; Evolução de bacia.

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