GEOLOGIA E GÊNESE DAS MINERALIZAÇÕES ASSOCIADAS AO MACIÇO ITAOCA, VALE DO RIBEIRA, SP e PR

IVAN SERGIO DE CAVALCANTI MELLO, JORGE SILVA BETTENCOURT

Resumo


O maciço granitóide Itaoca possui área superior a 200 km2 e integra os terrenos pré-cambrianos do Cinturão Ribeira que afloram no sul-sudeste de São Paulo e nordeste do Paraná (Vale do Ribeira), como parte das faixas de dobramento do Sudeste do Brasil. As encaixantes do batólito são rochas metassedimentares do Subgrupo Lajeado (parcialmente equivalente ao Grupo Açungui), cuja estratigrafia é revisada, e parcialmente correlacionada com a Formação Água Clara, considerada basal à unidade Lajeado. Foram reconhecidas e mapeadas no maciço, intrusivo e circunscrito, fácies e associações de fácies granitóides calcioalcalinas monzoníticas de alto potássio, a magnetita, do tipo I. A natureza do batólito e de suas encaixantes, a relação de contato das ígneas com rochas metassedimentares, a distribuição das fácies intrusivas no maciço e os parâmetros físico-químicos de formação dos depósitos minerais da área permitem considerá-lo posicionado entre a epizona e mesozona crustais, entre 6 a 7 km de profundidade, e formado por várias injeções cogenéticas, por balloning, a partir de magma precursor gerado na base da crosta. A sistemática Rb/Sr, aplicada em rochas totais, atribui ao batólito Itaoca idade isocrônica de 626 Ma. Dentro da evolução geológica do Vale do Ribeira, o maciço pode ser considerado tardio ao desenvolvimento de arco magmático do tipo andino, e sin a tardi-tectônico em relação a episódio de deformação da bacia Açungui, no final do Neoproterozóico (Brasiliano). No batólito há ocorrências minerais diversas, dentre as quais se destacam as de wollastonita (CaSiOs) e scheelita-powellita [Ca(W,Mo)O4], em escarnitos formados por metamorfismo térmico de contato da intrusão sobre mármores de pendentes do teto, no centro do batólito. A wollastonita foi gerada por processos de descarbonatação das matrizes marmóreas dos escarnitos, durante o metamorfismo de contato. Quanto aos depósitos metálicos, os corpos mineralizados do maciço Itaoca são representantes clássicos dos W-Mo-Cu escarnitos de contato presentes em diversas partes do mundo. Estes corpos e as mineralizações associadas formaram-se em estágios metassomáticos e hidrotermais, a partir dos 600 °C e pressão em torno de 2 kbar. À mineralização de wollastonita e scheelita-powellita se superpõem sulfetos diversos (pirita, pirrotita, arsenopirita, molibdenita, esfalerita, calcopirita, bornita), minerais supérgenos de cobre (malaquita e azurita), e ouro, gerados em temperaturas sucessivamente mais baixas. A partir da linhagem granitóide do Itaoca, a tipologia dos depósitos e as assinaturas isotópicas de estrôncio, carbono e oxigênio dos escarnitos, sugere-se uma origem magmática para o conteúdo metálico do estágio metassomático destes corpos. Com base em correlações entre as matrizes marmóreas dos escarnitos e os litotipos associados dos pendentes do teto do batólito Itaoca, as rochas metassedimentares da borda do maciço e as unidades rochosas regionais, formula-se modelo para a geração de escarnitos de contato no Vale do Ribeira, que seriam corpos stratabound, associados aos horizontes de mármore da Formação Água Clara, basal ao Subgrupo Lajeado, enquanto que os principais conteúdos metálicos desses corpos metassomáticos estariam subordinados à natureza das intrusivas granitóides envolvidas na formação dos escarnitos.

Palavras-chave


Cinturão Ribeira; Maciço Itaoca; W-Mo-Cu Escarnito; Wollastonite; Sheelite-Powellite.

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