O DEPÓSITO DE SULFETOS DE Fe-Cu ± Au DE ÁGUAS CLARAS, REGIÃO DE CARAJÁS, PARÁ, BRASIL: CONTEXTO GEOLÓGICO, ALTERAÇÃO HIDROTERMAL E FLUIDOS MINERALIZANTES

CINTIA MARIA GAIA DA SILVA, RAIMUNDO NETUNO VILLAS

Resumo


A mineralização primária do depósito de Águas Claras (DAC), localizado na porção central da Serra dos Carajás, ocorre em veios de quartzo ao longo de uma zona de cisalhamento rúptil a rúptil-dúctil, de direção geral NE-SW e mergulhos sub-verticais. Essa zona corta rochas sedimentares siliciclásticas da Formação Águas Claras e sills básicos arqueanos. O enriquecimento supergênico é uma feição comum mesmo a profundidades de até 200 m, onde os sulfetos encontram-se ainda parcialmente preservados. Foram identificados vários tipos de alteração hidrotermal relacionados à mineralização como sericitização, turmalinização, argilização, silicificação, carbonatação e cloritização, este último o mais característico do depósito. Os veios de quartzo apresentam texturas maciça, em pente, em pluma, fantasma, brechada e de deformação. A mineralização é dominada por sulfetos de Fe e Cu ± Au com quantidades subordinadas de minerais de Zn e W. As rochas encaixantes apresentam-se intensamente venuladas próximo à zona principal de cisalhamento. Pirita e calcopirita são as fases metálicas principais, com esfalerita e arsenopirita ocorrendo subordinamente. Os óxidos estão representados por magnetita, hematita e ferberita. O Au, apesar de não ter sido observado, faz parte da paragênese primária associado comumente à arsenopirita e calcopirita (Soares et al. 1994). A paragênese pirite-magnetita-hematita em equilíbrio indica condições relativamente oxidantes de precipitação com faixas representativas de fo2 e fs2 entre 10-29 –10-23 atm e l0-9 –10-4 atm, respectivamente. Os dados microtermométricos indicaram soluções aquosas salinas provavelmente correspondendo ao sistema NaCl-CaCl2-MgCl2-H2O, com temperaturas mínimas de homogeneização dos fluidos entre 360 e 100°C, sendo a faixa de 190-160°C a mais freqüente. As variações de salinidade nas inclusões bifásicas estão entre o equivalente de 0,53 e > 23,5 % em peso de NaCl. As inclusões trifásicas apresentaram salinidades da ordem do equivalente a 30-45 % em peso de NaCl. Fluidos com diferentes salinidades aprisionados no intervalo de 360-160°C podem significar a ocorrência de eventos cíclicos na deposição mineral, enquanto que fluidos de baixas salinidade e temperatura (130-100°C) podem ser produtos de soluções mais tardias na evolução do sistema ou mistura com águas meteóricas. O DAC é controlado estruturalmente e formado a profundidades rasas consistentes com os dados termométricos, as texturas de preenchimento dos veios e o baixo grau metamórfico das rochas hospedeiras. O sistema de veios possui características texturais de que foi formado através de pulsos recorrentes com várias gerações de quartzo que refletem a contemporaneidade com a associação dos sulfetos e a variação na salinidade dos fluidos.

Palavras-chave


Mineralização de sulfetos de Cu-Fe ± Au; Sistema de veios de quartzo; Zona de cisalhamento; Alteração hidrotermal; Inclusões fluidas.

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