O MODELO LODE PORFIRÍTICO DEDUZIDO A PARTIR DO DEPÓSITO MESOTERMAL DE OURO EM GRANITÓIDE DO CUMARU, SUL DO PARÁ, BRASIL

MÁRCIO D. SANTOS, OTHON H. LEONARDOS, ROBERT P. FOSTER, ANTHONY E. FALLICK

Resumo


Um novo tipo de depósito aurífero foi descrito para o Craton Amazônico, nos greenstone belts da Província Carajás. Em vez de veios mesotermais, hospedados em milonitos, ou depósitos exalativos, já reconhecidos na Província Carajás, o depósito auríferó do Cumaru é hospedado em um pluton granodiorítico cálcio-alcalino arqueano, típico de arcos vulcânicos. O Granodiorito Cumaru colocou-se em domínios transtensivos de uma zona de cisalhamento tipo rabo de cavalo, cortando rochas vulcano-sedimentares miloníticas do greenstone belt arqueano de Gradaús. Os veios de quartzo auríferos do Cumaru ocorrem em fraturas com direção preferencial NE/SW, na borda NW do pluton do Cumaru, envolvidos por um enxame de filonetes em padrão stockwork, com mineralização disseminada em uma matriz de alteração fflica. Três tipos de fluidos foram identificados nos veios de quartzo do Cumaru. Fluidos aquo-carbônicos, imiscíveis no momento de seu aprisionamento, foram interpretados como fluidos metamórficos relacionados à zona de cisalhamento. O segundo tipo de fluido é representado por inclusões de salmouras do sistema H2O-NaCl-KCl-CaCl2, interpretadas como derivadas dos fluidos residuais do magma granodiorítico. Inclusões aquosas tardias de baixa salinidade correspondem ao terceiro tipo de fluido, considerado como água meteórica. As condições de T-P para a deposição do ouro, estabelecidas pelo geotermômetro da clorita e isócoras calculadas a partir dos dados microtermométricos das inclusões fluidas, situam-se entre 300-350°C e l ,3-3,8Kb. Os baixos valores da fO2 do fluido mineralizante e a paragênese sulfetada do minério aurífero sugerem que o enxofre encontrava-se em estado reduzido no momento da formação do depósito, condições que favorecem o transporte do ouro como tiocomplexos. Dois eventos de deposição do ouro foram identificados no depósito do Cumaru, ambos relacionados com oxidação do fluido mineralizante. Inicialmente a oxidação foi causada pela imiscibilidade do fluido aquo-carbônico e pelo abaixamento da fS2 (sulfetação) nas rochas hospedeiras. A mistura tardia do fluido aquo-carbônico com as salmouras também provocou oxidação do fluido mineralizante, com aumento da fO2 e diminuição do pH, favorecendo a deposição do ouro. Análises de isótopos estáveis forneceram importantes indicações sobre as fontes dos fluidos mineralizantes. Os valores de δ18O e δD sugerem mistura de águas metamórficas e magmáticas, enquanto que os dados de δ13C são compatíveis com fluidos carbônicos de derivação mantélica. As características geológicas, estruturais e geoquímicas, assim como os dados de inclusões fluidas e isotópicos do depósito do Cumaru são consistentes com depósitos auríferos arqueanos tipo Iode, hospedados em greenstone belts, que ocorrem em zonas de cisalhamento, como também com mineralizações de estilo porfirítico típicas de arcos magmáticos fanerozóicos. Tal situação, sugere que tanto a zona de cisalhamento como a intrusão granodiorítica atuaram na gênese do depósito de ouro mesotermal do Cumaru, incluído em uma nova classe de depósito aurífero denominada aqui de "Iode porfirítico".

Palavras-chave


Ouro; Metalogênese; Mesotermal; Granodiorito.

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