O CONTROLE ESTRUTURAL DOS DEPÓSITOS DE OURO DO DISTRITO AURÍFERO DE FAZENDA MARIA PRETA, GREENSTONE BELT DO RIO ITAPICURU, NORDESTE DO BRASIL

CARLOS EDUARDO SILVA COELHO, FLÁVIO HENRIQUE FREITAS SILVA

Resumo


O Distrito Aurífero de Fazenda Maria Preta compreende um grupo de depósitos individuais encaixados em zonas de cizalhamento, localizados na parte norte do greenstone belt Rio Itapicuru (GBRI), no nordeste do Brasil. Os depósitos estão inseridos na unidade Maria Preta, que corresponde a rochas de composição andesítica com intercalações piroclásticas e de rochas sedimentares e alguns corpos dacíticos e dioríticos, sendo o conjunto metamorfizado no fácies xisto verde. A deformação na área está caracterizada por uma bem desenvolvida foliação NS, mergulhando em torno 60°W, com lineações de estiramento de baixo mergulho predominantemente para norte. As zonas onde essa foliação é mais intensamente desenvolvida (contatos litológicos) foram definidas como zonas de cisalhamento (ZS-I to IV). Em relação ao ambiente tectônico do GBRI, essas zonas correspondem a zonas de cizalhamento de 2* ordem, paralelas à Zona Principal de Cizalhamento. Nessas zonas, os principais elementos estruturais observados foram foliações miloní- ticas e lineações de estiramento. Esses elementos definem uma deformação transcorrente sinistrai gerada por uma componente de cisalhamento simples dominantemente não-coaxial, em domínios dúctil-frágeis à frágil-dúcteis, com movimentos subordinados oblíquo-reversos ou oblíquonormais. A análise dos indicadores cinemáticos determina um elipsóide de deformação finito oblato e deformação tectônica frágil a moderada. Os veios de quartzo mineralizados, encaixados nas zonas de cizalhamento, correspondem principalmente a veios de cizalhamento paralelos à foliação milonítica e, subordinamente, veios em extensão. Os corpos de minério apresentam uma geometria tabular, que constitui o controle primário da mineralização. O controle secundário é dado pela lineação de estiramento, a qual reorienta os corpos de minérios tabulares paralelamente ou perpendicularmente ao seu plunge. Os veios de quartzo são geralmente maciços ou brechados e texturas de preenchimento de espaços vazios são raras, indicando que as fraturas se separaram abruptamente devido a altas pressões de fluido. As relações de campo e as feições de deformação interna dos veios indicam que os mesmos foram formados ou encaixados em diferentes estágios durante o evento deformacional. O modelo de formação dos veios proposto para a área é análogo ao modelo fault-valve de Sibson et al. (1988).

Palavras-chave


Mineralização aurífera; Zonas de cizalhamento; Elementos estruturais; Veios de quartzo.

Texto completo:

PDF (English)

Apontamentos

  • Não há apontamentos.