FEIÇÕES GERAIS DOS DEPÓSITOS DE OURO DO GREENSTONE BELT RIO ITAPICURU (RIGB, NE DO BRASIL), DISCUSSÃO DA ORIGEM, IDADE E MODELO TECTÔNICO

FERNANDO CÉSAR ALVES DA SILVA, ALAIN CHAUVET, MICHEL FAURE

Resumo


No greenstone belt do Rio Itapicuru (RIGB), importante concentrações de ouro estão asssociadas a estreitas zonas de cisalhamento que afetam a seqüência supracrustal. Os trabalhos de mapeamento básico associados a geoquímica e geofísica levaram a descoberta de várias minas de ouro nesta região. Entre estas, a mina Fazenda Brasileiro é a maior delas com cerca de 140t Au. Neste trabalho procuramos mostrar o estado da arte, enfocando principalmente os aspectos gerais dos depósitos auríferos e a relação entre a mineralização e a evolução estrutural deste greenstone belt. A mineralização é essencialmente associada, direta ou indiretamente, com litologias carbonaceas e representada por veios e/ou vênulas de quartzo, ou disseminada em porções ricas em sulfeto, que definem os principais corpos de minério. Na principal mina o Au quase sempre ocorre relacionado a presença de arsenopirita, onde aparece como inclusões em microfraturas ou adsorvido nas fácies dos cristais deste mineral. As rochas hospedeiras da mineralização mostram claros efeitos de ação de eventos hidrotermais. Dados estruturais e geocronológicos recentes mostram que a precipitação do Au ocorreu tarde (2.083-2.031 Ga) aos principais eventos tectônico regionais (ca. 2.100-2.080 Ga). Uma combinação entre empurrões e os últimos estágios do magmatismo granítico podem ser responsável da geração dos fluidos mineralizantes. O Au lixiviado da pilha vulcânica, pelos fluidos metamórficos e àqueles relacionados aos plutons, migraram ao longo de anisotropias planar e linear pré-existentes. A migração destes fluidos dentro da zona de cisalhamento levou os corpos de minério a uma disposição onde seu eixo maior é paralelo a lineação de estiramento. O microfabric do quartzo e a orientação preferencial do seu eixo indica que difusão-recristalização foi o principal mecanismo de deformação agindo nos veios de quartz auríferos. Este cenário explica as evidências metamórficas e magmáticas encontradas e utilizadas nas discusões sobre a origem da mineralização, bem como o ambíguo controle dos corpos de minério (os sulfetos se sobrepõe a foliação milonítica) pela lineação de estiramento.

Palavras-chave


Minas de ouro; Eixo C do quatzo; Greenstone belt do Rio Itapicuru.

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