EPISÓDIOS INTRUSIVOS NO ARCO DE PONTA GROSSA, DETERMINADOS ATRAVÉS DE UM ESTUDO PALEOMAGNÉTICO

MARIA IRENE BARTOLOMEU RAPOSO

Resumo


Foi realizado estudo paleomagnético do enxame de diques associado à estrutura tectônica de soerguimento conhecida como Arco de Ponta Grossa. Acredita-se que os diques foram colocados quando essa estrutura encontrava-se no seu ponto máximo de evolução ocorrido no Cretáceo Inferior, quando originaram-se inúmeras falhas e fraturas que foram preenchidas por material magmático, essencialmente, básico. Desse modo, o enxame de diques ficou conhecido como enxame de diques do Arco de Ponta Grossa. Foram analisados 127 corpos intrusivos amplamente distribuídos por toda a área ocupada pelo Arco de Ponta Grossa, que cortam tanto os sedimentos, principalmente Paleozóicos, da Bacia do Paraná como as rochas do embasamento cristalino. Um total de cerca de 400 amostras de mão e cilindros, orientados com auxílio de bússolas magnética e solar, foram coletados e analisados. Estudou-se a estabilidade magnética das amostras através de desmagnetizações térmica e por campos magnéticos alternados. Procurou-se identificar a magnetização remanescente característica das amostras com auxílio do diagrama de Zijderveld e submeteu-se, pelo menos, 2 ou 3 espécimens da mesma amostra a campos ou temperaturas selecionadas. A direção média de magnetização de cada dique foi calculada através da média das direções dos espécimens correspondentes. Os parâmetros estatísticos foram obtidos através de Fisher (1953). Analisou-se individualmente os grupos de direções de magnetização relativos aos diques aflorantes nas áreas de concentração: Fartura, Sapopema, Telêmaco Borba, Curitiba e Guapiara. Os dados mostraram que há diferenças significativas nas direções paleomagnéticas dos diques pertencentes a uma mesma área, sugerindo que estes corpos foram colocados em fases ou episódios intrusivos distintos. Através de uma comparação estatística entre as fases intrusivas das diversas áreas, verificou-se que nem sempre essas áreas estiveram, ativas simultaneamente. Desse modo, sugere-se que o Arco de Ponta Grossa foi afetado por nove episódios intrusivos principais, dos quais cinco ocorreram durante um período de campo geomagnético normal, três durante um período de campo geomagnético reverso e um durante um campo de transição. Este último só foi registrado em Guapiara e Fartura. De modo geral, cada episódio encontra correspondente em duas ou mais áreas. Entretanto, um dos episódios de campo geomagnético normal foi identificado somente em Fartura e outro, de campo geomagnético reverso, somente em Curitiba.

Palavras-chave


Diques máficos; Arco de Ponta Grossa; Paleomagnetismo.

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