CARACTERIZAÇÃO E EVOLUÇÃO DOS FLUIDOS MINERALlZANTES NA MINA DE OURO FAZENDA BRASILEIRO, GREENSTONE BELT DO RIO ITAPICURU, BA, BRASIL.

ROBERTO PEREZ XAVIER

Resumo


Os estudos de inclusões fluidas por microtermometria e espectroscopia Raman nas hospedeiras das mineralizações auríferas de Mina Fazenda Brasileiro, localizada na parte sul do greenstone belt do Rio ltapicuru, permitiram definir os fluidos mineralizantes como soluções quentes (> 400°C), de densidade relativamente alta (0,85-0,90 g/cm3), inicialmente compostas por CO2 (89,7-85,4 moles%) e pequenas quantidades de CH4 e N2, que evoluem com o abaixamento da temperatura (250-300°C) para soluções que se tornam gradativamente mais aquosas (de 40 a 62,5 moles% de H2O) e de baixa salinidade (< 10 eq. % em peso NaCl). As isócoras dos fluidos carbônicos e aquocarbônicos e as temperaturas de homogeneização total, combinadas com dados de geotermometria fornecidos pela paragênese mineral, sugerem a existência de pelo menos dois períodos de deposição do ouro: 1. 380-419°C e 2,2- 3,2 kb na brecha quartzo- feldspática e veio de quartzo com arsenopirita e pirita e 2. 270-300°C e 1,2 – 1,4 kb no veio de quartzo maciço. Baseado em estudos experimentais da solubilidade de complexos auríferos, nas características químicas dos fluidos mineralizantes, na paragênese de minério e na razão Au/Ag, presume- se que o ouro deva ter sido transportado como tiocomplexos do tipo Au(HS)2 , HAu (HS)2 ou AU2 (HS)2S-2 em soluções redutoras (razão  ΣH2S/ Σ S O4 alta) e com PH em torno da neutralidade ou levemente alcalino. Nos estágios mineralizantes iniciais, condições para a precipitação do ouro foram atingidas devido ás reações fluido/rocha que levaram ao decréscimo na atividade de S-2 com a precipitação dos sulfetos metálicos (arsenopirita, pirita, pirrotita etc). Nos estágios de colocação dos veios de quartzo tardios acredita-se que a deposição do ouro tenha ocorrido pela introdução de H20 no sistema, causando a diluição de C02, diminuição do pH, oxidação e consequente desestabilização dos complexos transportadores deste metal. A origem metamórfica desses fluidos mineralizantes IS também indicada pelo estudo de inclusões fluidas, entendendo-se que possam ser derivados a partir de processos de devolatilização das sequencies mais basais do greenstone belt, capazes de produzir fluidos carbônicos e aquocarbônicos de baixa salinidade, que posteriormente migram através de sítios estruturais favoráveis, causam fraturamento hidráulico e depositam seu conteúdo metálico.


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