O ARCO MAGMÁTICO DE MARA ROSA, GOIÁS: GEOQUÍMICA E GEOCRONOLOGIA E SUAS IMPLICAÇÕES REGIONAIS

MARIA DAS GRAÇAS VIANA, MÁRCIO M. PIMENTEL, MARTIN J. WHITEHOUSE, REINHARDT A. FUCK, NUNO MACHADO

Resumo


A Seqüência Vulcano-Sedimentar de Mara Rosa compreende várias faixas de direção NNE, formadas por rochas metavulcânicas (metabasaltos a metariolitos) e metassedimentares (micaxistos, quartzitos, cherts), expostas ao longo de extensas áreas da Província Tocantins. As faixas supracrustais são separadas por terrenos com metatonalitos e metadioritos, e foram intrudidas por vários corpos de granito e diorito pós-orogenéticos. Esta associação de rochas metavulcânicas/metaplutônicas foi anteriormente interpretada como um típico terreno granito-greenstone arqueano e, portanto, parte do embasamento siálico do cinturão supracrustal dobrado Brasíliano. Neste artigo são apresentados novos dados geocronológicos e isotópicos das rochas da Seqüência de Mara Rosa e metaplutônicas associadas. Amostras de uma rocha metavulcânica félsica da mina aurífera de Posse e de um metatonalito possuem idade U-Pb em zircão de 862±Ma e 856+13/-7 Ma respectivamente. Essas idades são interpretadas como as de cristalização dos protólitos ígneos. Titanita de uma amostra da rocha metavulcânica apresenta uma idade concordante de recristalização de 632±4 Ma. Idades isocrônicas Rb-Sr em ortognaisses, rochas metassedimentares e milonitos indicam o fechamento do sistema isotópico Rb-Sr há ca. de 600 Ma após re-homogeneização isotópica. Dados isotópicos Sm-Nd dessas rochas indicam composições primitivas, com εNd(T) de +4,6a +3,7 e idades modelo TDM de cerca de 1,0 Ga. Uma intrusão sin-tectônica diorítica tem idade U-Pb de cristalização de 630±6 Ma com εNd(T) de +1,9 Ga. e TDM de ca. 1,0 Ga. Análises adicionais Sm-Nd em rochas metassedimentares e granitos pós-orogenéticos da região de Mara Rosa mostram idades TDM entre 1,2 e 1,0 Ga. Os dados isotópicos, combinados com resultados preliminares de elementos traço, sugerem que os protólitos das rochas metavulcânicas e metaplutônicas estudadas formaram-se há cerca de 860 Ma em um sistema de arcos de ilhas, na costa do continente São Francisco-Congo. Idades de deformação e recristalização de ca. de 630 Ma podem representar a época de fechamento final do oceano e colisão continental. As associações litológicas, o padrão estrutural, as características geocronológicas e isotópicas das rochas da região de Mara Rosa são muito semelhantes às dos terrenos de arco expostos cerca de 300 Km a sudoeste, na área de Arenópolis, comprovando a importância regional do evento de acreção crustal neoproterozóico na parte central do Brasil.

Palavras-chave


Província Tocantins; Faixa Brasília; Ciclo Brasíliano; Arco-de-ilhas; Neoproterozóico; Acreção crustal.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.