ESTRATIGRAFIA DA PARTE SUL DA FAIXA SERGIPANA, NE DO BRASIL: IMPLICAÇÕES TECTÔNICAS

LUIZ J. H. D'EL-REY SILVA, KENNETH R. McCLAY

Resumo


A Faixa Sergipana (NE, Brasil) é uma cunha orogenética de direção geral ESE-WNW e que foi polideformada/metamorfisada em consequência da colisão entre o Maciço Pernambuco- Alagoas, a norte, e o Cráton de São Francisco, a sul, no Ciclo Brasiliano, há cerca de 700-600 Ma. A partir de estudos anteriores em escala regional a faixa e dividida, de sul para norte, em três domínios litotectônicos longitudinais, respectivamente assemelhados a pilhas de rochas sedimentares e vulcânicas construídas em ambiente cratônico, miogeoclinal e eugeoclinal separados por falhas reversas, em geral de alto angulo, que indicam transporte de topo para SSW com transcorrência associada. Na parte norte da faixa são ainda individualizados dois outros domínios de rochas ígneas e um domínio de migmatitos e gnaisses. Modelos divergentes de evolução tectônica foram produzidos para a faixa, com base em interpretações a favor e contra a continuidade lateral entre os metasedimentos. Estudos litoestratigráficos-estruturais realizados em escala de detalhe (1987-1995) em área de 4000km2 circundando dois domos gnáissicos de embasamento e englobando a interface entre o Cráton, miogeoclinal e eugeoclinal, na parte sul da faixa Sergipana, revelam: (1) uma nova litoestratigrafia das rochas depositadas nos dois domínios mais a sul, distinta daquela dos estudos anteriores; (2) evidencias sedimentológicas, estruturais, metamórficas e geofísicas inequívocas a favor da continuidade entre os três domínios, através das suas falhas de borda; (3) a parte superior da seção da cobertura cratônica compreende uma sequencia de argilito, siltito, arenito, arcósio e grauvaca lítica, com granulometria crescente para o topo; esta seção passa gradativamente a metasiltito e filito depositados na bacia, onde ocorre sobreposta ao grupo basal e sotoposta a diamictitos e carbonatos do grupo superior, todos depositados em tomo dos domos de embasamento que ocupam o núcleo de antiformes regionais; (4) as características sedimentológicas e o posicionamento estratigráfico inequívoco da sequência de granulometria crescente para o topo descartam modelos tipo bacia foreland anteriormente adotados para explicar o topo da seção da cobertura cratônica adjacente a Faixa Sergipana. Os dados permitem interpretar que o preenchimento da bacia precursora se deu em regime de sedimentação controlada por tectônica, no qual os domos de embasamento provavelmente atuaram como paleo-altos e as falhas regionais limitantes dos domínios (meta)vulcano-sedimentares são prováveis falhas normais originais, que foram positivamente invertidas na fase de fechamento da bacia. A origem da parte superior da cobertura cratônica, cuja deve ser atribuída ao soerguimento e erosão de fonte a sul, e os controles tectônicos da sedimentação, implicam consideravelmente para a evolução da Faixa Sergipana e do Cráton de São Francisco. 


Palavras-chave


Estratigrafia; Sedimentação e tectônica; Cinturão Sergipano; Orogenia Brasiliana; Cráton do São Francisco; Província da Borborema.

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