UTILIZAÇÃO DE PADRÕES DE SEDIMENTAÇÃO COSTEIRA COMO INDICADORES PALEOCLIMÁTICOS NATURAIS (PROXIES)

JOSÉ M.L. DOMINGUEZ, ABÍLIO C.S.P. BITTENCOURT

Resumo


Este trabalho demonstra a praticabilidade de se utilizar padrões de sedimentação costeira como indicadores paleoclimáticos naturais (proxies). Dois tipos desses padrões, representativos da costa leste-nordeste brasileira, são aqui discutidos: 1. padrões associados ao transporte de sedimentos arenosos ao longo da costa por correntes de deriva litorânea, geradas por ondas e controladas climaticamente pelo sistema de ventos dominante; e 2. padrões de sedimentação em campos de dunas costeiras controlados climaticamente por taxas de precipitação e padrões de vento. No primeiro caso, a partir de testemunhos registrados na planície costeira associada à desembocadura do Rio Doce (ES), foram registradas importantes inversões no sentido da deriva litorânea, que devem estar relacionadas fundamentalmente a mudanças no padrão de circulação atmosférica que tenham impedido os ventos alíseos de E-SE de alcançarem essa região, mediante deslocamentos latitudinais na célula de alta pressão do Atlântico Sul. No segundo caso, diferentemente do que consideram alguns especialistas, concluiu-se que o clima é um fator importante para a acumulação de depósitos eólicos ao longo da costa. Desse modo, no campo de dunas adjacente à praia de Atalaia (PI), ficou evidenciado que o suprimento de sedimentos para o mesmo, durante os tempos recentes, não foi um processo contínuo, tendo ocorrido na forma de pulsos, alternando-se com períodos durante os quais o suprimento foi consideravelmente reduzido, o que sugere estar este fato relacionado a mudanças na precipitação atmosférica, ligadas à Zona de Convergência Intertropical, aluando na escala de décadas.

Palavras-chave


Indicadores climáticos; Dunas; Cordões litorâneos.

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