GEOLOGIA E GÊNESE DA FOSFORITA DE IRECÊ, BAHIA

AROLDO MISI

Resumo


A descoberta da Fosforita de Irecê, na região central da Bahia em 1985, veio a ser um acontecimento de importância estratégica devido à sua localização próxima a importantes pólos agrícolas. 00 ponto de vista científico, a importância da descoberta é muito grande, uma vez que poucos depósitos similares são até agora conhecidos. A fosforita primária é constituída por concentrações de fluorapatita direta e exclusivamente associadas a estruturas estromatolíticas (colunares ou laminares) preservadas ou fragmentadas por ação de ondas e correntes (fosforita intraclástica). Na área da Fazenda Três Irmãs, entre as sedes municipais de Irecê e de Lapão, as principais concentrações primárias constituem pelo menos três níveis de biohermas colunares do tipo Jurussania Krilov com 2 a 10 m de espessura e grande extensão lateral e cujas colunas individuais podem alcançar até 15 cm de altura com diâmetro máximo de 3 cm. As rochas encaixantes são dolossiltitos cinza a avermelhados, maciços, geralmente apresentando acamamentos cruzados e marcas de ondas, sugestivos de ambientes de sedimentação de alta energia. Os estudos petrográficos realizados, com apoio de catodoluminescência, demonstram que a fluorapatita se formou numa fase cedo-diagenética, em ambiente marinho. antes mesmo do processo de dolomitização precoce que afetou os sedimentos. A associação exclusiva da fluorapatita com estruturas estromatolíticas, a relação das concentrações com fácies sedimentares bem definidas e o caráter cedo-diagenético da mineralização conduzem a admitir uma possível origem da fosforita a partir de precipitação de fluorapatita nos estromatólitos, em um ambiente saturado em PO4, devido aos processos destrutivos de microrganismos anaeróbicos. Outros estudos estão sendo realizados visando confirmar esta possibilidade.


Palavras-chave


Fosfogênese; Fosforita; Estromatólitos; Grupo Una; Proterozóico Superior.

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