PLATAFORMAS CARBONÁTICAS PRÉ-CAMBRIANAS: O EXEMPLO DA FORMAÇÃO SALITRE, PROTEROZÓICO SUPERIOR, ESTADO DA BAHIA

ZELINDA M.A.N. LEÃO

Resumo


A Formação Salitre constitui uma importante plataforma carbonática de idade proterozóica superior no Estado da Bahia. Na área estudada neste trabalho, no município de Irecê, ela está constituída por três grupos de litofácies: 1. calcilutitos com laminação microbiana, apresentando acamamento paralelo e evidências de exposição suba érea, depositados em ambientes de perimarés; 2. calcarenitos à base de intraclastos, com abundante estratificação cruzada produzida por ação de ondas, freqüentemente associados a estromatólitos e depositados em ambiente de praia e antepraia acima da base de onda de tempo bom, e 3. cálcio-siltitos/calcarenitos finos e margas intercaladas, com as camadas de calcarenito apresentando base plana e topo ondulado e, internamente, laminação plano-paralela a ondulada, interpretados como depositados durante tempestades, abaixo da base de onda de tempo bom. A ausência de turbiditos, de brechas e de extensos e contínuos corpos recifais sugere topografia de fundo suave sem a existência de talude. Todas estas características permitem interpretar a Formação Salitre como o registro de uma plataforma carbonática do tipo rampa homoclinal de alta energia, a qual se instalou sobre um relevo antecedente de baixo declive, herdado de uma rampa siliciclástica dominada por tempestades (Formação Caboclo). Por serem os carbonatos da Formação Salitre predominantemente constituídos de calcilutitos e intraclastos calcilutíticos, a lama carbonática é o componente básico desses carbonatos. A produção dessa lama deve ter ocorrido por meio de um processo de precipitação direta da água do mar, espontaneamente, devido à superssaturação em relação ao carbonato de cálcio e/ou a partir de modificações das características físico-químicas da água do mar, induzidas pelo metabolismo das comunidades microbianas. Essa lama foi acumulada nas zonas de perimarés protegidas e a sua exposição subaérea nas zonas de supra e intermarés resultou no seu ressecamento, fragmentação e conseqüente produção de intraclastos, os quais foram posteriormente exportados para os locais finais de deposição (praia e antepraia). A ausência de metáfitos e metazoários no Pré-Cambriano faz com que existam diferenças fundamentais entre os carbonatos desta época e aqueles de idade fanerozóica, quer na sua composição, quer na preservação das feições deposicionais originais, uma vez que não houve bioturbação significante no Proterozóico. O estudo da Formação Salitre traz importantes informações acerca das plataformas carbonáticas pré-cambrianas e mostra que os modelos de sedimentação desenvolvidos para ambientes carbonáticos fanerozóicos devem ser aplicados com cautela no estudo de acumulações pré-cambrianas.


Palavras-chave


Pré-Cambriano; Chapada Diamantina; Bacia de Irecê; Formação Salitre; Plataformas carbonáticas.

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