TERRENOS PROTEROZOICOS NA PROVÍNCIA BORBOREMA E A MARGEM NORTE DO CRÁTON SÃO FRANCISCO

EMANUEL F. JARDIM DE SÁ, MARIA H. F. MACEDO, REINHARDT A. FUCK, KOJI KAWASHITA

Resumo


A margem norte do Cráton São Francisco é definida por extensos empurrões e nappes transportados para sul. Na parte interna da Faixa Sergipana, o reconhecimento de blocos alóctones e associações petrotectônicas de arco permite visualizar possíveis zonas de sutura do Ciclo Brasiliano. Na Faixa Riacho do Pontal, reavaliação das relações de campo e novos dados geocronológicos confirmam a idade neoproterozóica das estruturas de nappe, sendo que as mais externas cavalgam a cobertura mesoproterozóica autóctone do cráton. Na porção norte dessa faixa, postulase a acresção cedo-brasiliana de um terreno mesoproterozóico, ao longo de uma sutura transcorrente. Mais a norte, no interior da Província Borborema, o Ciclo Brasiliano é caracterizado por deformação transcorrente/transpressiva associada a volumoso plutonismo de origem crustal e mantélica, além de uma faixa supracrustal monocíclica, ensiálica, em Orós. Na Faixa Seridó (e em outros locais) , essas estruturas retrabalham um fabric tangencial transamazônico, relacionado a um regime de empurrões para sul. Por outro lado, unidades mesoproterozóicas (e empurrões pré brasilianos?) estão presentes a sul da zona de cisalhamento de Patos. As evidências disponíveis até o momento permitem reconhecer grandes blocos crustais com evolução tectônica contrastante, provavelmente delimitados por zonas de sutura. A proeminência da cinemática transcorrente brasiliana conduz a especulações sobre a importância da acresção transcorrente/transformante de terrenos, durante aquele evento. Alternativamente, a presença de regimes de empurrões mais antigos pode significar o registro de diferentes períodos de amalgamação de blocos continentais, construindo uma litosfera continental heterogênea na Província Borborema, durante os tempos proterozóicos.


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