A ZONA DE CISALHAMENTO TAUÁ, CEARÁ: SENTIDO E ESTIMATIVA DO DESLOCAMENTO, EVOLUÇÃO ESTRUTURAL E GRANITOGÊNESE ASSOCIADA

SÉRGIO P. NEVES

Resumo


A zona de cisalhamento Tauá (ZCT) compreende uma faixa milonítica subvertical com mais de 5 km de largura cuja evolução teve início no final do Ciclo Brasiliano, marcando a passagem de uma tectônica tangencial para uma tectônica transcorrente. Numerosos indicadores cinemáticos apontam um sentido sinistral para o cisalhamento, com um rejeito estimado de 30 a 35 km. As principais feições da ZCT são interpretadas como produtos de deformação progressiva. Com o tempo, o presente nível de exposição foi levado a níveis crustais cada vez mais rasos, passando de um regime dúctil (todos os minerais deformam-se plasticamente) para semidúctil (início cie deformação frágil nos feldspatos: produção de milonitos S-C) e, daí, para semifrágil (predomínio de cataclase sobre recristalização dinâmica; produção de pseudotaquilitos). Entre o primeiro e o segundo estágio houve a instrusão de magmas graníticos aproveitando a verticalização das estruturas que, ao chegarem à intrusão, sofreram diferenciação por fluxo e originaram os granitóides sintectônicos Pedra Lisa. Após a cristalização dessas rochas, a deformação continuou, a uma taxa decrescente, preservando as estruturas produzidas nos estágios iniciais. Possivelmente aproveitando a formação de fissuras de extensão, quando as encaixantes já tinham um comportamento dúctil-frágil e a deformação mais intensa se restringia a faixas estreitas, houve a intrusão de granitos tardi-tectônicos de granulação fina. Falhas de caráter absolutamente frágil podem representar uma continuação da deformação até o regime rúptil ser atingido ou resultam de um evento tardio.

Palavras-chave


Zona de cisalhamento transcorrente; Evolução estrutural; Colocação de granitóides.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.