DELTAS DOMINADOS POR ONDAS: CRÍTICAS ÀS IDÉIAS ATUAIS COM REFERENCIA PARTICULAR AO MODELO DE COLEMAN & WRIGHT

JOSÉ MARIA LANDIM DOMINGUEZ

Resumo


O estudo da evolução quaternária de planícies de cordões litorâneos associados às maiores desembocaduras fluviais da costa leste do Brasil, consideradas como típicos deltas dominados por ondas, demonstra que os modelos existentes de sedimentação deltaica (e.g. Coleman & Wright) não explicam de forma apropriada a evolução quaternária dessas áreas. Modelos de sedimentação deltaica em ambientes dominados por ondas se basearam em exemplos holocênicos cuja evolução, à época do desenvolvimento desses modelos, era pobremente compreendida (e.g. Rios São Francisco, Senegal e Nilo). Apriorismo, raciocínio circular e aplicação não crítica de princípios de sedimentação deltaica para estas áreas pouco conhecidas, resultaram em concepções errôneas. Estas concepções errôneas são discutidas à luz de informações obtidas pelo estudo da evolução quaternária da costa leste do Brasil. A discussão focalizará três aspectos principais: 1. os modelos existentes não levam em conta as variações do nível do mar, as quais desempenharam um papel fundamental durante a evolução das planícies de cordões litorâneos brasileiras associadas a desembocaduras fluviais; 2. supõe-se tradicionalmente que alimentação transversal (dip-feeding) 6 o modo predominante de introdução de sedimentos em planícies de cordões litorâneos associadas a desembocaduras fluviais. No caso dos exemplos brasileiros, a alimentação longitudinal (strike-feeding) por correntes longitudinais geradas por ondas desempenhou um papel importante na introdução de sedimentos arenosos para essas planí- cies. Em alguns casos, o volume de sedimentos introduzidos por correntes longitudinais comprovadamente suplantou o volume de sedimentos fluviais; 3. os modelos de sedimentação deltaica existentes assumem que processos autocíclicos foram os mais importantes a controlar mudanças na posição dos canais fluviais (channel switching), nas planícies de cordões litorâneos. Na costa leste do Brasil, elementos forçadores externos (alociclicidade), tais como subidas do nível relativo do mar, foram os principais fatores a controlar mudanças na posição dos canais fluviais. Finalmente, sugere-se que o uso do termo "delta" seja restrito àquelas acumulações costeiras nas quais processos fluviais são os únicos responsáveis pela distribuição de fades observada. Tal atitude certamente evitaria muito da confusão que permeia atualmente a literatura.

Palavras-chave


Sedimentação deltaica; Modelos de fácies; Quaternário.

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