A ocorrência alcalina de Cananéia, litoral sul do estado de São Paulo: petrologia e geoquímica

Fernando Pelegrini Spinelli, Celso de Barros Gomes

Resumo


O maciço de Cananéia (Ar-Ar, 83,6±0,9 Ma), SE do Brasil, é representado por dois pequenos corpos - Morro de São João, 1,8 km², e Morrete, 0,4 km². A intrusão é coberta por sedimentos quaternários, tem como encaixante rochas do Grupo Açungui e está tectonicamente associada ao Arco de Ponta Grossa (Lineamento de Guapiara). Rochas sieníticas reunidas em dois grupos, álcali feldspato sienitos e quartzo-álcali feldspato sienitos, são dominantes e microssienitos, subordinados. Feldspato alcalino (mesopertita), quartzo, clinopiroxênio, anfibólio e biotita são os minerais mais comuns, enquanto que plagioclásio e olivina ocorrem raramente. Como acessórios estão presentes minerais opacos, apatita, titanita e zircão. As rochas de Cananéia são saturadas a supersaturadas em sílica, apresentam afinidade potássica e alto grau de evolução (mg#<0,33, baixa concentração em Cr e Ni). A distribuição normalizada dos elementos incompatíveis indica anomalias negativas pronunciadas em Sr, P e Ti e evidentes anomalias positivas em Zr e Nd. O comportamento das terras raras exibe alta concentração desses elementos, fracionamento das TRL em relação às TRP e acentuada anomalia negativa em Eu. Razões iniciais 87Sr/86Sr (Ro) variam de 0,7065 a 0,70700 e de 0,7054 a 0,7078, respectivamente, para os litotipos menos e mais evoluídos. A correlação positiva entre Ro e SiO2 é evidência indicativa que essas rochas foram submetidas a processos de assimilação e contaminação crustal. A assinatura isotópica (Sr-Nd) similar à de outras ocorrências sieníticas da região sudeste do país possibilita sugerir para essas rochas uma origem a partir de magma parental basanítico, tendo sido a fonte mantélica, litosférica subcontinental e composicionalmente heterogênea, sujeita a processos de enriquecimento metassomático no Proterozóico.

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