Alfred Wegener e a revolução Copernicana da geologia

Ernesto Luiz Lavina

Resumo


A passagem do século XIX para o século XX foi marcada por sucessivas revoluções científicas que ocasionaram uma profunda modificação no conceito de realidade. Átomos, radiação eletromagnética e deslocamentos na objetividade dos conceitos newtonianos fizeram com que a realidade do ver para crer (realismo materialista) fosse rapidamente substituída por outra, permeada de conceitos fundamentados em teorias que se localizavam para além do senso comum. Apesar das imensas transformações introduzidas, a assimilação do novo arcabouço teórico foi relativamente rápida. Houve, entretanto, uma notável exceção. Uma construção teórica inovadora deste período foi absolutamente rejeitada pela comunidade científica. Quando, em 1912, Wegener propôs a existência, no passado distante, de um supercontinente que veio posteriormente a fragmentar-se dando origem aos atuais continentes, instalou-se um verdadeiro estado de guerra no âmbito das ciências da Terra. Houve, de fato, uma repulsa que necessitava ser manifesta em todas as oportunidades. Porquê as idéias de Wegener não foram aceitas? Talvez por que a geografia antiga da Terra não era considerada problema. Talvez porque suas evidências nada mais eram do que os resultados das pesquisas dos mais eminentes cientistas, apenas que reorganizados e reinterpretados em suas implicações. Wegener criou um imenso problema onde não havia problemas, e propôs uma solução que se encontrava fora do arcabouço teórico da ciência. A formulação de sua teoria implicava a negação de muitos paradigmas, pois não havia como deduzir ou antever a movimentação continental nas teorias anteriores. Wegener foi um pensador original, mas não foi um fato único, pelo contrário, foi apenas um entre muitos cientistas notáveis do início do século XX. Cientistas que tinham em comum uma nova forma de organizar as evidências científicas. Talvez inspirados pelo neokantismo da Escola de Marburg, com sua idealização de que é o método que constrói os objetos do discurso científico.

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