Dolinas em arenitos da Bacia do Paraná: evidências de carste subjacente em Jardim (MS) e Ponta Grossa (PR)

William Sallun Filho, Ivo Karmann

Resumo


Dolinas em arenitos ocorrem na Formação Aquidauana em Jardim (MS) e na Formação Furnas em Ponta Grossa (PR), Bacia do Paraná. Na região Ponta Grossa o recuo das rochas areníticas é marcado pela “Escarpa da Formação Furnas”, enquanto em Jardim não há escarpa associada. As dolinas de Jardim são geralmente amplas e rasas, e as de Ponta Grossa profundas e escarpadas. Em Ponta Grossa as dolinas, tiveram sua origem vinculada, na maioria dos estudos, à erosão subterrânea nos arenitos, devido à presença de feições de relevo ruiniforme, proximidade de escarpas e ausência equivocada de rochas carbonáticas no embasamento da bacia. As dolinas de Jardim e Ponta Grossa são fenômenos de colapso geradas por processo de piping, ocasionado pelo desenvolvimento de um sistema cárstico subjacente, profundo, em ambiente freático, nas rochas carbonáticas do embasamento. O papel do carste subjacente na formação de dolinas em arenito é demonstrado por: 1) as dolinas não estão distribuídas ao longo de todas as unidades areníticas da Bacia do Paraná, mas pelo contrário, são restritas apenas em localidades com rochas carbonáticas no embasamento da bacia; 2) feições de relevo ruiniforme são formas superficiais de origem erosiva ou intempérica nos arenitos e podem ser atribuídas a pseudocarste, não tendo relação direta com as dolinas, que mesmo estando na superfície, representam pontos de injeção de água meteórica, conectado em profundidade ao sistema cárstico; 3) o alinhamento de feições de superfície, além de demonstrar o controle estrutural nos arenitos, expressa direção de condutos cársticos em profundidade. A “Depressão de Vila Velha”, descrita pela primeira vez neste estudo, abrange todas as dolinas da região de Ponta Grossa, é reflexo do processo de piping devido ao carste subjacente. Na área de carste exposto feições típicas não são muito freqüentes ou evidentes, devido à composição dolomítica, e as dolinas, são mais evidentes nos arenitos do que nos próprios carbonatos. Porém, em Jardim, a transição geomorfológica gradual entre arenitos e carbonatos torna mais visível o carste subjacente, expondo as feições cársticas, diferentemente da região de Ponta Grossa onde o carste encontra-se distante das dolinas e em maior profundidade

Palavras-chave


Dolina; Arenito; Carste subjacente; Pseudocarste; Formação Furnas; Formação Aquidauana.

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