Química mineral de micas do maciço granítico Serra Branca, Goiás: processos de alteração hidrotermal como modificadores do reequilíbrio cristaloquímico

Cristina Valle Pinto-Coelho, Eleonora Maria Gouvea Vasconcellos, Carlos Henrique Nalin Ferreira

Resumo


No Maciço Granítico da Serra Branca (MGSB), localizado na porção Norte do Estado de Goiás, ocorrem quatro fácies petrográficas, identificadas em função da intensidade dos processos hidrotermais responsáveis pela formação de greisens e de mineralização de cassiterita. São eles: a) granito rosa a cinza (g1a), inequigranular, porfiróide médio a grosso; aflorando na porção ocidental do maciço; b) granito cinza a róseo (g1b), inequigranular médio a grosso; c) granito cinza (g1c) inequigranular, médio a grosso e d) granito cinza (g1d) inequigranular, médio, ocorrendo na porção oriental do maciço. Ocorrem, ainda, greisens apicais e filões micáceos. As fácies graníticas são formadas por diferentes porcentagens de quartzo, biotita, mica branca, microclínio pertítico e albita, onde as porcentagens  variam em função da intensidade da alteração hidrotermal. Os minerais acessórios são zircão, apatita, allanita, monazita e opacos (ilmenita). Os processos hidrotermais observados são albitização, greisenização e microclinização. Os greisens são compostos por quartzo e mica branca; ocorrem, ainda, em porcentagens variadas, topázio, fluorita, cassiterita, berilo, monazita, scheelita, grafita, esfalerita, zoisita, zircão, apatita, fenacita e opacos. A biotita é a única fase mineral ferromagnesiana presente no MGSB e não apresenta grandes disparidades químicas, projetando-se no domínio da composição da biotita associada à muscovita. Possui Al em posição octaédrica e é classificada como aluminosa. As fácies graníticas do MGSB contêm muscovita em quantidade e hábitos variáveis. Três tipos ou grupos petrográficos de micas brancas foram definidos: a) dos granitos (g1a), (g1b) e (g1c); b) do granito (g1d); e c) dos greisens e filões micáceos. As variações geoquímicas não são importantes e, assim como para a biotita, são mais marcantes no interior de um mesmo grupo do que entre as diferentes fácies observadas. Globalmente, as micas brancas são ferríferas, fracamente magnesianas e titaníferas, medianamente fluoretadas (F varia de 0,3 a 2,7% em peso) e não litiníferas. A substituição fengítica (celadonítica) nas micas brancas do MGSB exprime-se de maneiras distintas: a) em porcentagens de celadonita pelo excesso de sílica em posição tetraédrica; b) visualizada no diagrama Si + M2+ versus Al total (AlVI + AlIV); c) estimada no diagrama AlVI + AlIV / Fet (a.f.u.), que representa a parte do Fe na substituição fengítica. A substituição paragonítica encontra-se entre 2 e 5%. Em nenhuma das fácies graníticas, greisens ou filões micáceos associados ao MGSB foi identificada muscovita magmática.

Palavras-chave


Micas; Granito; Hidrotermalismo; Província Estanífera de Goiás; Química mineral.

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