A sedimentação proterozóica (esteniana-toniana) na borda oeste do Craton Amazônico

Ruy Benedito Calliari Bahia, Augusto José Pedreira

Resumo


A sedimentação proterozóica na porção ocidental do Cráton Amazônico,  estudada em detalhe na  Serra dos Pacaás Novos, localizada na região oeste do Estado de Rondônia, nas adjacências da cidade de Guajará-Mirim, é constituída mormente de conglomerados e arenitos da Formação Palmeiral,  relacionada do Esteniano ao Toniano.  A análise faciológica permitiu distinguir seis litofácies que incluem: (l) ortoconglomerado maciço ou com estratificação incipiente (Gm); (2) arenito com estratificação horizontal (Sh); (3) arenito com estratificação cruzada acanalada (St); (4) arenito com estratificação cruzada planar (Sp); (5) arenito com estratificação sigmóide (Ss); e (6) arenito maciço (Sm). A fácies conglomerática, constituída de seixos de quartzo, quartzito, arenito e rochas vulcânicas, é interpretada como barras longitudinais ou lençóis empilhados, gerados durante eventos de alta descarga. Níveis compostos por lentes arenosas, representam depósitos formados durante períodos de baixa descarga em canais menores. Esta interpretação aponta para os sedimentos Palmeiral um estilo fluvial entrelaçado, tipo Scott . Entretanto, ficam dúvidas se este padrão relaciona-se à um sistema fluvial proximal ou de leque aluvial. A proveniência dos depósitos da Formação Palmeiral é mostrada pelos seus diferentes tipos de fragmentos líticos, incluindo quartzo, quartzito, arenito e rochas vulcânicas, os quais somente em parte são derivados do embasamento cristalino. Fragmentos de rocha do Complexo Jamari não foram encontrados. As rochas sedimentares da Formação Palmeiral passaram por vários processos diagenéticos incluindo sobrecrescimento de quartzo, formação de caulinita e ilitização. Podem ocorrer pseudomorfos de ilita a partir de caulinita. A dissolução por pressão é bem documentada por concavidades em seixos da fácies conglomerática. Na Serra dos Pacaás Novos a Formação Palmeiral está confinada em graben, que possivelmente no Cenozóico sofreu inversão de relevo, responsável pela atual configuração morfológica da serra. A análise estrutural possibilitou a separação de três domínios estruturais.

Palavras-chave


Formação Palmeiral; Proterozóico (Esteniano-Toniano); Caracterização faciológica; Petrografia e tectônica.

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