Contexto geológico e origem da mineralização sulfetada estratiforme de São Martim, SW do Cinturão Araguaia, Pará

Raimundo Netuno Villas, Aderson D.P. de Lima, Basile Kotschoubey, Marcely Pereira Neves, Grant Alan Osborne

Resumo


O alvo São Martim está localizado na porção sudoeste do Cinturão Araguaia e é caracterizado por concentrações de sulfetos na forma de finos leitos, clastos e disseminações hospedados em uma seqüência sedimentar essencialmente clástica pertencente à Formação Couto Magalhães. Os sulfetos ocorrem principalmente em diamictitos negros e ruditos, incluindo sobretudo  pirita com quantidades subordinadas de calcopirita, esfalerita e galena. A estes minerais associam-se apatita, monazita, xenotímio, alanita, barita, anidrita, calcita, albita, estilpnomelano e clorita em proporções variáveis. A composição isotópica do Pb das diferentes variedades de  pirita sugere que os metais têm como origem a crosta superior e provêm de uma mesma fonte homogênea. Não foi possível definir uma idade isocrônica para a mineralização, porém a maioria das idades modelo Pb-Pb obtidas  varia de 716 a 616 Ma, período consistente com a evolução neoproterozóica do Cinturão Araguaia. Estudos de inclusões fluidas em cristais de calcita das zonas mineralizadas permitiram identificar um fluido salino (11 a >23% em peso de NaCl) de composição comparável ao sistema NaCl-CaCl2-H2O, que pode ter resultado de exalações ou de água conata que interagiu com leitos evaporíticos. Na maioria dos casos a temperatura de homogeneização situa-se entre 90 e 110°C, intervalo este compatível com a presença de querogênio na matéria carbonosa da matriz dos diamictitos negros e com o ambiente diagenético. O quadro sulfetado do Alvo São Martim teria evoluído em três  fases principais: 1) fase autóctone I (sulfetos exalativos); fase alóctone (clastos de sulfetos ou sulfetos presentes em clastos líticos resultantes do desmantelamento de exalitos); e 3) fase autóctone II (sulfetos diagenéticos com alguma contribuição exalativa). Comparações com depósitos de tipo Kupferschiefer apontam para a possibilidade de existirem ambientes similares no Cinturão Araguaia.

Palavras-chave


Cinturão Araguaia; Neoproterozóico; Sulfetos estratiformes; Exalação submarina; Isótopos de Pb; Inclusões fluidas.

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