O granito de duas micas Ney Peixoto, nordeste do Pará: aspectos petrológicos e significado tectônico

Raimundo Netuno Villas, Francisca D’Ávila Soares de Sousa

Resumo


O corpo granítico de Ney Peixoto localiza-se em área drenada pelo rio Guamá, entre as cidades de Ourém e São Miguel do Guamá, NE do estado do Pará. É a única manifestação ígnea granítica de idade brasiliana (549 ± 5 Ma) conhecida na região do Gurupi, que tem evolução essencialmente paleoproterozóica. Tratase de uma intrusão com cerca de 6 km2 de área aflorante, cujos contatos com as rochas encaixantes não podem ser observados devido à cobertura aluvial e coluvial. É levemente foliada a localmente bandada e constituída, em média, por 35,2% de quartzo, 32,8% de microclina, 20,4% de oligoclásio, 5,9% de muscovita  e 5,4% de biotita. As rochas graníticas são ricas em SiO2, Al2O3, K2O e Na2O, e pobres em MgO e CaO, tendo caráter peraluminoso (A/CNK > 1,1) e composição bem próxima à do ternário mínimo do sistema SiO2-K2O-Na2OH2O. Ba, Rb, Sr e Zr são os elementos traços mais abundantes, com razões Rb/Sr e Sr/Ba que variam de 0,7 a 1,2 e de 0,24 a 0,37, respectivamente. O padrão de distribuição dos elementos terras raras revela um moderado fracionamento dos ETRL para os ETRP (Lan/Ybn = 27 a 75,5) e uma moderada anomalia negativa de Eu (Eun/ Eu* = 0,46 a 0,62). Derivado de crosta paleoproterozóica, o granito Ney Peixoto é provavelmente produto da fusão parcial dos micaxistos da Formação Jeritequara do Grupo Gurupi. Diagramas binários de variação composicional não mostram tendências de diferenciação relevantes, exceto a diminuição de FeOt + MgO + TiO2 com o aumento de sílica, refletindo bem mais as diferentes quantidades de biotita presentes nas amostras. Os bolsões pegmatóides devem representar os líquidos finais da cristalização do magma, já bem empobrecidos em Fe e Mg a ponto de não mais estabilizar a biotita. As condições de cristalização foram estimadas em 600-650°C e em cerca de 5 kbar. As características mineralógicas, estruturais e químicas da intrusão Ney Peixoto, em particular os teores de Nb, Y e Rb, permitem interpretá-la como um granito sin-colisional , sugerindo um espessamento crustal também em tempos neoproterozóicos na região do Gurupi.

Palavras-chave


Granitos peraluminosos e sincolisionais; Neoproterozóico; Cinturão Gurupi.

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