MINERALIZAÇÕES DE Sn DO MACIÇO GRANÍTICO SERRA BRANCA, GOIÁS: EVOLUÇÃO DO SISTEMA HIDROTERMAL E FONTE DOS FLUIDOS

CRISTINA V. PINTO-COELHO, MÁRCIA ABRAHÃO MOURA

Resumo


O maciço granítico Serra Branca (MGSB) situa-se na Província Estanífera de Goiás e pertence à suíte de granitos intraplaca paleo a mesoproterozóicos, que compreende granitos ricos em F, Sn, Rb, Y, Th, Nb, Ga e ETR. O maciço hospeda mineralização de estanho e compreende quatro fácies petrográficas distintas: a) granito rosa a cinza, heterogranular, porfirítico, médio a grosso (g1a); b) granito cinza a róseo, heterogranular médio a grosso (g1b); c) granito cinza heterogranular, médio a grosso (g1c) e d) granito cinza heterogranular, médio (g1d), ocorrendo localizadamente na porção oriental do maciço. Ocorrem, ainda, greisens apicais e filões micáceos. Importantes fenômenos pós-magmáticos são identificados, representados inicialmente por albitização, seguida por greisenização (a mais desenvolvida) e, finalmente, microclinização.  Estudos de inclusões fluidas em feldspato alcalino das fácies graníticas (g1a) e (g1c), em quartzo, topázio e fluorita do granito (g1d), de greisen e de veios de quartzo + fluorita e quartzo + topázio revelaram a presença de 2 tipos de inclusões fluidas: tipo 1, que compreende inclusões fluidas modeladas pelo sistema H2O-NaCl-CO2 (±CH4), interpretadas como primárias; e tipo 2, constituído por inclusões fluidas bifásicas H2O-NaCl ± (KCl-MgCl2-FeCl2), com características de inclusões primárias nas rochas hidrotermais e secundárias em quartzo da fácies (g1a). Os baixos valores de TH (~240ºC) e de salinidade (< 2 % em peso de NaCl equiv.) das inclusões fluidas dos núcleos dos feldspatos alcalinos sugerem que essas porções não contêm mais o fluido magmático aprisionado, mas fluidos resultantes de resfriamento progressivo ou de alteração hidrotermal.  As características petrológicas dos granitos do MGSB e os dados de inclusões fluidas são consistentes com fonte predominantemente magmática para os fluidos ricos em CO2 (± CH2). Os dados petrográficos e microtermométricos sugerem que os fluidos aquosos são posteriores aos aquo-carbônicos. Propõe-se um modelo de evolução com liberação residual de um fluido inicialmente magmático e mistura com fluido externo de mais baixa temperatura. Após a alteração hidrotermal e mineralização houve aprisionamento de fluidos tardios em fraturas de minerais hidrotermais, possivelmente resultante de deformação ligada ao Ciclo orogenético Brasiliano, onde as perturbações térmicas e deformacionais encontram-se registradas nas rochas graníticas e greisens do maciço.

Palavras-chave


Granito; Província Estanífera de Goiás; Estanho; Alteração hidrotermal; Inclusões fluidas.

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