SEQÜÊNCIAS DEPOSICIONAIS DA FORMAÇÃO TACIBA (GRUPO ITARARÉ, NEOCARBONÍFERO A EOPERMIANO) NA REGIÃO DE MAFRA (SC), BACIA DO PARANÁ

LUIZ CARLOS WEINSCHÜTZ, JOEL CARNEIRO DE CASTRO

Resumo


A Formação Taciba constitui o terceiro grande ciclo de granodecrescência ascendente do Grupo Itararé, e é formada pelo membros Rio Segredo (arenito), Chapéu do Sol (diamictito) e Rio do Sul (ritmito, siltito e folhelho). Na região de Mafra, margem leste da Bacia do Paraná, não ocorre o arenito do Membro Rio Segredo, e o diamictito Chapéu do Sol, 65m de espessura, recobre bruscamente o Folhelho Lontras (que constitui o topo da Formação Campo Mourão, sotoposta). O estudo de quatro poços testemunhados, complementado com perfis de afloramentos vizinhos, possibilita identificar duas seqüências deposicionais para a Formação Taciba.  No poço VR-1 a seqüência inferior Taciba-I, TC-I, é representada por um intervalo bastante espesso de diamictito, contendo intercalações de arenito argiloso maciço (slurry), siltito e ritmito fino, com feições de escorregamento, deformação plástica e diques arenosos, e localmente de um grande bloco de turbidito in situ, com clasto caído. Na parte superior do perfil o diamictito apresenta estratificação, bem como grandes e numerosos clastos caídos; lateralmente a oeste, no poço PP10, ocorrem duas sucessões faciológicas granocrescentes, com folhelho várvico, siltito e ritmito fino, contendo pseudonódulos de arenito, escorregamento e raros clastos caídos. Na seqüência TC-I, o trato de mar baixo seria representado pelo arenito do Membro Rio Segredo (ausente na área), e os sistemas acima descritos formariam os tratos de sistemas transgressivo e de mar alto. Um intervalo arenoso, com fácies e espessuras variáveis, representa o trato de mar baixo da seqüência Taciba-II, TC-II. No poço RB-3 são 52m de turbiditos de leque canalizado (Arenito A3), sobreposto erosivamente a ritmitos várvicos e turbiditos delgados de uma bacia glaciolacustre, e sotoposto a diamictito glacial; este, por sua vez, é sucedido por uma delgada sucessão de conglomerado, arenito fossilifero bioturbado e siltito-folhelho, representando um trato transgressivo de sistemas deposicionais. No perfil S. Lourenço ocorre seção de 40m de arenito com estratificação sigmóide (Arenito A2), de origem flúvio-deltaica. No poço PP-10 a seqüência TC-II tem 4,5m de arenito  de origem flúvio-estuarina (Arenito A4) com clastos caídos, enquanto no perfil Vila Ruthes desenvolve-se um sistema de deglaciação lateralmente equivalente, com varvito tipo “telha” sobreposto por arenito muito fino de frente deltaica (Arenito A1). Sobreposto ao Arenito A4, ocorrem no poço PP-10 dois ciclos granocrescentes formados por folhelho várvico, siltito e ritmito fino, em parte com clasto caído e escorregamento, de origem gláciomarinha plataformal e que constitui o trato de sistemas de mar alto, encerrando a sedimentação Taciba na área.

Palavras-chave


Estratigrafia de sequencias; Sedimentação glacial e interglacial; Ciclo de deglaciação; Turbidito canalizado; Arenito flúvio-estuarino.

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