ESTRUTURAÇÃO TECTÔNICA E ANÁLISE DEFORMACIONAL DO SEGMENTO CENTRAL DO CINTURÃO RIBEIRA NA SERRA DA BOCAINA, NOS ESTADOS DE SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO

SERGIO HENRIQUE SOUSA ALMEIDA, HANS DIRK EBERT

Resumo


O segmento central do Cinturão Ribeira, constituído de rochas orto- e paraderivadas de médio a alto grau metamórfico, é recortado por expressivos feixes de zonas de cisalhamento dúcteis de direção NE-SW. Este trabalho apresenta os resultados da análise estrutural quantitativa desenvolvida na Serra da Bocaina (SP/RJ), com a finalidade de determinar os regimes tectônicos e deformacionais relacionados à orogênese Neoproterozóica. A deformação penetrativa, bem registrada pela microestrutura das rochas, foi quantificada a partir da análise de grãos de quartzo e feldspato em lâminas delgadas. Foram analisadas 29 amostras de gnaisses, com foliações gnáissica (Sn) e milonítica (Sm), coletadas entre as zonas de cisalhamento Rio Preto (ZCRP) e Arcádia-Areal (ZCAA), através do método de Rf/φ. As amostras revelaram razões de deformação Rxz entre 2,0 e 5,2 e predomínio de valores baixos a médios (2,0< Rxz <3,0). No plano YZ os resultados variaram entre 1,4 e 3,3. O elipsóide médio, para a área, apresenta relação de dimensões dos semi-eixos X:Y:Z de 1,45:1,1:0,65, que corresponde a um estiramento médio de 45% em X (sub-horizontal na direção NE-SW), de 10% em Y (vertical) e um encurtamento de 35% ao longo de Z (direção NW-SE). O elipsóide geral (regional bulk strain) de deformação finita tem forma oblata (KFlinn médio de 0,38) e correspondente ao campo do achatamento geral. Os maiores valores de vorticidade (Wk < 0,81) estão próximos às zonas de cisalhamento e no Domínio Paraíba do Sul (DPS), onde predomina transcorrência, ao passo que valores menores (0,15< Wk < 0,75), isto é, com predomínio de deformação coaxial, ocorrem internamente aos domínios Embu (DE) e Juiz de Fora (DJF). A integração dos valores de deformação cisalhante γ (gama), estimados entre as zonas ZCRP e ZCAA (1,3< γ < 8,9), permitiu inferir rejeitos direcionais próximos a 200 km. Os resultados corroboram a observação geral de dois tipos de deformação na área: transcorrência dextral e encurtamento perpendicular às zonas de cisalhamento, materializado através de dobras simétricas e assimétricas, bem como achatamento dos agregados minerais. Isto confirma que o Cinturão Ribeira sofreu uma transpressão dextral, acomodada através da partição da deformação entre estruturas contracionais NW-SE e transcorrentes NE-SW.

Palavras-chave


Cinturão Ribeira; Transpressão; Zonas de Cisalhamento; Análise de Deformação; Vorticidade.

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