COMPORTAMENTO GEOQUÍMICO DO FLÚOR EM ÁGUAS E SEDIMENTOS FLUVIAIS DA REGIÃO DE CERRO AZUL, ESTADO DO PARANÁ, BRASIL

MARIA J. ANDREAZZINI, BERNARDINO R. FIGUEIREDO, OTAVIO A. B. LICHT

Resumo


O flúor é um elemento essencial para a saúde do homem, embora o consumo de água com excesso deste elemento possa ocasionar problemas nos dentes e ossos (doença conhecida como fluorose). Em água potável, o teor máximo recomendado pela OMS é 1,5 mg/L F-, variando principalmente com as condições climáticas. Vários depósitos de fluorita ocorrem no Vale do Ribeira (SP-PR), dando origem a áreas com concentrações anômalas para flúor, identificadas a partir de estudos anteriores de geoquímica de sedimentos fluviais e concentrados de bateia. Este trabalho analisou a qualidade das águas e sedimentos fluviais no município de Cerro Azul, onde estão localizados os depósitos Volta Grande e Mato Preto. Os parâmetros de qualidade das águas, como pH, Eh, condutividade, oxigênio dissolvido, temperatura, turbidez, TDS e alcalinidade, foram determinados in situ. Amostras de água filtrada (<0,45 µm) foram analisadas por cromatografia iônica para ânions e por ICP-OES para cátions. As concentrações de F- em água foram determinadas por eletrodo de íon seletivo (EIS), obtendo-se concentrações de 0,07 até 2,54 mg/L F-. Teores de F- superiores aos limites permitidos corresponderam às drenagens próximas ao depósito Mato Preto, onde também as concentrações de Ca2+, Sr2+ e Ba2+ em água foram as mais altas. Não obstante, a água utilizada para consumo das populações da área apresentou teores de F- inferiores ao limite estabelecido pela legislação. Na região ficou definida assim uma área de risco potencial para a população, localizada nas proximidades da jazida Mato Preto, onde é desaconselhável a utilização de água de rios para consumo humano. Correlações positivas do F com Si, Ca2+, Li+ e K+ nas águas superficiais permitiram inferir que o F- poderia provir da alteração de silicatos como biotita e hornblenda, e ainda da solubilização de fluorita. Adicionalmente, amostras de sedimentos fluviais foram analisadas nas frações < 177 μm e < 63 μm por fluorescência de raios X, e para flúor pelo método de fusão alcalina + EIS. Os teores de flúor situaram-se no intervalo 330-1300 μg/g, sendo em geral mais elevados na fração mais fina. Análises por difração de raios X e microscopia eletrônica de varredura permitiram inferir alguns dos minerais responsáveis pelo aporte de flúor aos sedimentos: micas (biotita), hornblenda, illita, esmectita, e também fluorita e apatita.

Palavras-chave


Flúor; Água superficial; Sedimentos fluviais; Volta Grande; Mato Preto; Cerro Azul.

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