ZONALIDADE REVERSA DOS GRANITOS DO COMPLEXO INTRUSIVO LAVRAS DO SUL, RS: PETROGRAFIA, SUSCETIBILIDADE MAGNÉTICA E ÓXIDOS DE FE-TI

MARIA DO CARMO GASTAL, GUSTAVO A. FERNANDES, FRANCISCO JOSÉ F. FERREIRA, RAFAEL G. FRIZZO

Resumo


São avaliadas as condições de oxi-redução na cristalização dos granitos do complexo intrusivo Lavras do Sul- CILS (ca. 606-586 Ma), objetivando explicar 0 zoneamento revelado pela suscetibilidade magnética-k, Este mostra padrão concêntrico, e traduz a zonalidade reversa de facies petrográficas, quais sejam: (a) granitos do núcleo (k de 4,0-7,5 10-3 SI), álcali-cálcicos, incluindo biotita granodiorito e anfibólio-biotita granitos híbridos; e (b) biotita-anfibólio sienogranito e pertita granito (k de 9-10* 10-3 SI), ambos alcalinos e posicionados ao redor do núcleo. Todos são granitos ferromagnéticos, e as diferenças na k se devem a natureza distinta dos magmas parentais e a variações na trajetória redox, registradas pelas fases máficas (anfibólios, biotita, e oxides de Fe-Ti). Nos primeiros, os dois óxidos de Fe-Ti são comuns (Ti-mt:Ilm de 3:1 a 10:1). A divergência nas razões Fe/Mg de silicatos máficos e rocha indica cristalização em ambiente mais oxidante, devido a ação da fase fluida em situações diversas de equilíbrio cristal-volátil (granitos híbridos), ou exsolução de fluidos (granodiorito). Isto reforça que estes granitos representam pulsos distintos de magma hidratado (3-4% H2O), que evoluíram em diferentes pressões (4-2 kbar). Nos granitos alcalinos, a maior abundancia de Ti-magnetita (Ti-mt:Ilm ≥ 20:1), e a presença de titanita primaria corroboram que estes derivaram de magma intrinsecamente oxidado, porém com menor conteúdo inicial de H2O (~2%). A convergência nas razoes Fe/Mg de silicatos máficos e rocha registra o controle da mineralogia na trajetória redox, também marcada pelo decréscimo da pressão com a diferenciação (2-1 kbar). O conjunto de informações permite concluir que o pluton foi formado durante dois episódios principais de ressurgência de uma câmara magmática do sistema vulcano-plutônico de subsidência (CILS): ressurgência central para o posicionamento dos tipos do núcleo, e ao longo da periferia do pluton para os alcalinos. Assim, a zonalidade petrográfica e magnética mostra tais diferenças, também respaldadas pelos dados magnéticos e gravimétricos. Apesar dos granitos do núcleo exibirem baixa k, a cristalização em ambiente com grande variação de fO2 permite vinculá-los a gênese das mineralizações de Au-Cu.


Palavras-chave


Petrologia magnética; Granitos ferromagnéticos; Suscetibilidade magnética; Óxidos de Fe-Ti; Condições redox; Zonalidade reversa.

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