ESTUDO DE INCLUSÕES FLUIDAS EM MINERALIZAÇÃO SULFETADA VULCANOGÊNICA HIDROTERMAL E DE OURO OROGÊNICO NA SERRA DO IPITINGA, AMAZÔNIA, BRASIL

MARIA TELMA LINS FARACO, KAZUO FUZIKAWA, CLAIRE RAMBOZ, IAN MCREATH

Resumo


O Grupo Ipitinga (2,27 Ga), na serra homônima, consiste em uma unidade metavulcanossedimentar, constituída por metavu1cânicas máficas e ultramáficas, rochas a cordierita-antofilita e a quartzo-clorita, às quais estão sobrepostos metassedimentos químicos (BIFs tipos óxido e silicato) e elásticos. Parte das lavas básicas foi hidrotermalmente alterada em condições similares às de sistemas hidrotermais atuais, ao longo dos eixos de expansão oceânicos, formando rochas a quartzo-clorita e mineralizações sulfetadas do tipo vu1canogênico hidrotermal sindeposicional, constituídas de pirrotita, pirita, ca1copirita, esfalerita, com ouro e prata associados, além de traços de galena, molibdenita e telureto de prata. Toda a unidade vu1canossedimentar foi deformada por cisalhamento rúptil-dúctil,assumindo a atual configuração estrutural de cinturão de cisalhamento NW-SE, com mergulhos subverti cais, geralmente para NE. Durante esse episódio, os fluidos hidrotermais originaram veios de quartzo auríferos. Doze tipos de inclusões fluidas identificadas no Grupo Ipitinga, discriminam dois sistemas de fluidos relacionados a três eventos hidrotermais peculiares. As rochas a quartzo-clorita (basaltos hidrotermalmente alterados), as principais hospedeiras das mineralizações sulfetadas, contêm onze tipos de inclusões fluidas. Oito deles ocorrem exclusivamente nessas rochas, geradas a partir de reações fluido-rocha durante o primeiro evento hidrotermal (1). Esse evento envolveu um fluido aquo-carbônico consistindo principalmente de CH4 e Hp, com traços de N2 e H2S. Inclusões de CO2 com traços de CH4 H2S e N2, são subordinadas. A predominância de CH4 sobre CO2 no sistema de fluido aquo-carbônico, é coerente com os modelos propostos para a geração de mineralizações sulfetadas vulcanogênicas exalativas nos sistemas hidrotermais de dorsais meso oceânicas. A presença de CH4 nas rochas resultantes do primeiro evento hidrotermal no Grupo Ipitinga, evidencia a ação de um processo metamórfico-hidrotermal em um ambiente similar aos atuais centros de expansão. Os valores de temperatura e pressão calculados para a geração da mineralização sulfetada no Grupo Ipitinga compreendem os intervalos de 250-450° C e 0.7 - 2.3 kbar, respectivamente. Fluidos aquosos salinos relacionados ao segundo evento hidrotermal (II) ocorrem somente nas rochas a cordierite-antofilita. Os veios de quartzo originados em um terceiro evento hidrotermal (III) , relacionado ao cisalhamento dúctil, contêm inclusões de um fluido aquoso salino que pode também ser encontrado em quartzo das rochas a quartzo-clorita. Além dos dados acima apresentados, o estudo das inclusões fluidas também indicou uma cronologia relativa para os eventos metamórfíco-hidrotermais no Grupo Ipitinga.


Palavras-chave


Inclusões fluidas; Sulfeto; Ouro; Metano; Sistema hidrotermal.

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