ESTUDO DE INCLUSÕES FLUIDAS EM VEIO DE QUARTZO AURÍFERO DO PROSPECTO PATINHAS, PROVÍNCIA AURÍFERA DO TAPAJÓS, CRÁTON AMAZÔNICO

EVANDRO LUIZ KLEIN, LÚCIA TRAVASSOS DA ROSA-COSTA, JOSÉ MARIA DE AZEVEDO CARVALHO

Resumo


O prospecto Patinhas, na porção sudeste da província Tapajós, é caracterizado por um veio de quartzo aurífero com espessura média de 70 cm hospedado em zona de cisalhamento rúptil-dúctil, transcorrente, subvertical, orientada segundo NE-SW, que corta gnaisse granodiorítico do Complexo Cuiú-Cuiú (∼2,0 Ga). O quartzo é leitoso, maciço e rico em pirita em sua porção central e foliado no contato com a rocha encaixante. Esse contato é também marcado por estreito halo de alteração hidrotermal que contém sulfetos disseminados e pela deformação dúctil imposta à rocha encaixante pelo cisalhamento. O caráter estrutural é sugestivo de posicionamento do veio em profundidade moderada, em estrutura ativa, cuja atividade estendeu-se por algum tempo após a formação do veio. O ouro é microscópico e preenche microfraturas em cristais de pirita. Ao microscópio, cristais de quartzo de dimensões variadas são envoltos por matriz recristalizada, em mosaico. São observados efeitos variáveis de deformação dúctil, fraca a intensa, devido à deformação que acompanhou e sucedeu a formação do veio de quartzo. Inclusões fluidas (IF) ocorrem em trilhas intra- e transgranulares, em bordas de cristais recristalizados, ou são encontradas em áreas menos deformadas e/ou reliquiares do quartzo, de forma isolada ou em pequenos grupamentos aleatórios. São descritas inclusões carbônicas (tipo 1) mono- e bifásicas, geralmente associadas com inclusões aquo-carbônicas (tipo 2) bi- ou trifásicas em temperatura ambiente, com o volume de CO2, variando entre 20 e 70%. Inclusões aquosas (tipo 3) bifásicas dividem-se em dois subtipos, um associado espacialmente aos tipos 1 e 2 e um outro posterior a todos os demais tipos. A temperatura de fusão da fase carbônica das IF dos tipos 1 e 2 mostra forte concentração de valores próximo ao ponto de fusão do CO2 puro. Com base no conjunto de dados estruturais, petrográficos e microtermométricos, interpreta-se a origem das IF como uma combinação entre separação de fases e re-equilíbrio durante e após o aprisionamento. Parâmetros físico-químicos estimados a partir dos dados microtermométricos indicam que: a mineralização ocorreu entre 30°C e 389°C, sob pressão variável (média de 2,1 kb, correspondendo a 7 km de profundidade); o fluido aquo-carbônico possui densidade global entre 0,73 e 0,97 g/cm3, salinidade média de 6,6 % em peso equivalente de NaCl; e que a fração molar do CO2 (XCO2) varia entre 6 e 16 moles %. Essas características são compatíveis com as de depósitos auríferos mesotermais/ mesozonais estruturalmente controlados.


Palavras-chave


Ouro; Metalogênese; Inclusões fluidas; CO2; Tapajós; Paleoproteróico.

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