SEQÜÊNCIAS E TRATOS DE SISTEMAS DEPOSICIONAIS DO GRUPO ITARARÉ, NORTE DO ESTADO DO PARANÁ

FERNANDO FARIAS VESELY, MARIO LUIS ASSINE

Resumo


Um perfil vertical representativo de aproximadamente 800 metros de espessura foi levantado na faixa de afloramentos do Grupo Itararé no norte do Estado do Paraná. Foram reconhecidas cinco sequências limitadas no topo e na base por desconformidades, cujas fácies e associações de fácies foram caracterizadas. O perfil de superfície foi correlacionado com perfis de poços profundos, onde as sequências puderam ser rastreadas por uma distância de 400 Km em uma seção EW paralela ao strike deposicional do Grupo Itararé. As cinco sequências possuem a mesma assinatura estratigráfica, representada por fácies glácio-marinhas depositadas durante ciclos de avanço e recuo de geleiras. Três associações de fácies que se sucedem na vertical compõem o arcabouço estratigráfico das sequências, sendo que as associações basal e superior podem estar ausentes. A associação basal ocorre somente nas duas sequências inferiores e constitui-se de depósitos subglaciais, tais como tilitos e conglomerados ricos em matacões (trato de sistemas glacial máximo). As fácies subglaciais são cobertas por conglomerados e arenitos, os quais são sucedidos por diamictitos, turbiditos e finos laminados com clastos caídos, caracterizando típico empilhamento retrogradacional resultante de deglaciação (trato de sistemas de deglaciação). Repousando diretamente sobre disconformidades quando da ausência das fácies subglaciais, a associação de deglaciação ocorre em todas as sequências e compõe a maior parte do empilhamento do Grupo Itararé. Finos laminados representam o registro do máximo recuo das geleiras durante períodos interglaciais e englobam as superfícies de inundação máxima de cada sequência. Sucessões com granocrescência ascendente podem estar presentes acima das superfícies de inundação máxima, sendo interpretadas como o início de novos avanços de geleiras (trato de sistemas de avanço glacial). Essa associação de fácies poderia representar progradação em trato de sistemas de mar alto, mas fácies costeiras e continentais não foram observadas na área de estudo.


Palavras-chave


Bacia do Paraná; Grupo Itararé; Glaciação permocarboníbera; Estratigrafia de seqüências; Tratos de sistemas glaciais.

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