ZONALIDADE VERTICAL NO CORPO MINERALIZADO DA MINA DE OURO SCHRAMM (SC) - DETALHAMENTO DO MODELO GENÉTICO

JOÃO CARLOS BIONDI, NILTON D. FRANKE, PAULO R.S. DE CARVALHO, SANDRO N VILLANOVA

Resumo


A petrografia de amostras de minério coletadas na mina Schramm entre os níveis 140 e 180 revelou a existência de uma fase hidrotermal anterior a da formação do minério, na qual houve formação de magnetita-hidrotermalitos. Mostrou, também, uma zonalidade vertical no minério, caracterizada por três paragêneses distintas. Abaixo de 155m, o minério é carbonatado, está dentro de magnetita-hidrotermalitos e contém muita hematita lamelar, magnetita, esfarelita e ouro, associados à pirita, calcopirita, arsenopirita, gersdorfita e siegenita. Esta paragênese caracteriza um ambiente no qual o fluido mineralizador foi oxidado e dessulfurizado, o que causou precipitacão do ouro. Em torno do nível 155 o minério contém poucos sulfetos em paragênese na qual predominam siegenita, millerita, gersdorfita e esfalerita, com muito ouro e pouca pirita e calcopirita. Nesse horizonte o minério está em meio a granulitos ultrabásicos e o ouro precipitou devido ao ambiente com pH elevado e fO2 intermediária. Acima do nível 155 o minério quartzo-carbonatado contém muita galena bismutinífera, esfalerita e ouro, em parte contido no quartzo, associados a gersdorfita, pirrotita, pirita e cosalita. Esta paragênese caracteriza um fluido reduzido, provavelmente com a composição do fluido original, do qual o ouro precipitou, também, devido ao pH elevado do ambiente. O corpo mineralizado formou-se em momentos quatro fases: (1) Formação de filões de magnetita-hidrotermalitos, a temperturas de cerca de 230°C. (2) Formação do minério oxidado, dentro dos magnetita-hidrotermalitos, e do minério a siegenita-millerita-gersdorfita, dentro de granulitos ultrabásicos, a temperaturas entre 260° e 310°C. (3) Fase na qual a caixa fililoneana ficou aberta e houve precipitação de clorita vermicular, siderita e quartzo euédricos, prismáticos, e pouco ouro, a temperaturas entre 310° e 320°C. (4) Com as paredes da caixa filoneana revestida, o fluido original, redutor, não mais reagiu com as rochas encaixantes e o ouro precipitou devido á diminuição da temperatura do fluido causada pela mistura com meteóricas que invadiram o sistema. Houve, então, precipitação de quartzo leitoso até a extinção do sistema hidrotermal.


Palavras-chave


Mina Schramm (SC); Ouro; Zona de cisalhamento; Zonalidade; Modelo genético.

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