PALEOFLORAS DA ANTÁRTICA E SUA RELAÇÃO COM OS EVENTOS TECTÔNICOS E PALEOCLIMÁTICOS NAS ALTAS LATITUDES DO SUL

TÂNIA LINDNER DUTRA

Resumo


O registro paleoflorístico da Antártica e novas informações obtidas para a ilha King George (South Shetland Islands) são aqui discutidas, sob a perspectiva de sua importância para a compreensão dos eventos paleogeográficos e paleoclimáticos e para as correlações. Os dados compilados para o setor oriental (Continente Antártico) e para as áreas ao sul da Terra de Graham, na Península Antártica, indicam o domínio de sucessões depositadas em bacias intracratônicas, com idades distribuídas entre o Permiano e o Triássico e uma íntima afinidade com as áreas gondwânicas. Já no conjunto de ilhas setentrionais da Península, as assembléias sugerem movimentos posteriores ao final do Triássico, maior identidade com os depósitos da América do Sul e Austrália e a associação preferencial com processos vulcânicos, consequência da movimentação final das placas continentais. Em termos composicionais as tafofloras sugerem o predomínio de Bennettiales e Cycadales até o Cretáceo Inferior e, sua substituição por coníferas de tipos modernos e pelas primeiras angiospermas no final deste período, quando a paleoflora sugere a presença de bons teores de umidade e clima temperado. O Terciário, cujo início corresponde a um hiato deposicional, será marcado por um expressivo aumento de diversidade da vegetação. Aos elementos anteriores somam-se angiospermas termofílicas que, entre o final do Paleoceno e o Eoceno basal, comporão as "floras mistas ou de mescla", comuns às bacias do sul da América e Austrália-Nova Zelândia, mas com momentos diacrônicos de aparecimento em cada uma das áreas. O final do Eoceno marca um primeiro evento de extinção, seguido de outro mais drástico no limite Oligoceno – Mioceno, coincidente com o isolamento da Antártica e a formação da Corrente Circum-Antártica. O caráter tectonicamente perturbado de grande parte das litologias, que dificulta as correlações, especialmente nas ilhas setentrionais, é compensado pelo grande número de dados absolutos de idade e pela presença de depósitos capazes de serem acompanhados regionalmente. Este documentário, além de útil na ordenação dos eventos e das floras, confirma a Península Antártica (Província Weddeliana) como um importante centro de dispersão para muitos dos táxons que hoje caracterizam a vegetação austral.


Palavras-chave


Antártica; Paleobotânica; Estratigrafia; Paleogeografia; Paleoclima; Nothofagaceae.

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