ASPECTOS PETROGRÁFICOS E COMPOSICIONAIS DO SISTEMA MULTI-INTRUSIVO DA ASSOCIAÇÃO SHOSHONÍTICA LAVRAS DO SUL (RS) E SEU POTENCIAL PARA MINERALIZAÇÕES DE OURO E SULFETOS

JOAQUIM DANIEL DE LIZ, EVANDRO FERNANDES DE LIMA, LAURO VALENTIM STOLL NARDI, LÉO AFRANEO HARTMANN, CARLOS AUGUSTO SOMMER, CHRISTIAN ROGER HARTSTEIN GONÇALVES

Resumo


A investigação de corpos hipabissais do município de Lavras do Sul (RS) permitiu identificar uma grande variedade litológica cujo padrão textural sugere um sistema multi-intrusivo provavelmente em ambiente do tipo caldeira. No sistema predominam corpos monzoníticos que são os produtos diferenciados relacionados aos vulcanitos shoshoníticos da região. Novas recargas de magmas geraram diques de latito compostos, caracterizados por uma petrotrama complexa que preservou composições latíticas e traquíticas. Estas manifestações foram sucedidas por um dique de dacito, originalmente de alto-K, que atingiu condições limites de supersaturação em voláteis que geraram padrões petrográficos clásticos ricos em púmices e shards. Nos diques compostos e de dacite, a elevada atividade de fluidos é evidenciada por vesiculação e sulfetação tardi-magmática. Estudos petrográficos e de microssonda eletrônica permitiram identificar pirita, subordinadamente calcopirita e arsenopirita. Grãos de ouro livre e prata nativa, além de tetraedrita, esfalerita, barita e rutilo, foram identificados por microscopia eletrônica de varredura. O ouro e a prata ocorrem envolvidos por matriz constituída por Si+4 Al+3, K+ e CI- o que indica a atuação de complexos clorados no transporte e precipitação destas fases. O uso de geotermometria em arsenopirita sugere que esta fase cristalizou entre cerca de 330°C a 450°C. A litoquímica dos monzonitos indica afinidade shoshonítica, com teores de K2O > (Na2O - 2), acompanhados de conteúdos elevados de Rb, Ba e Sr e baixos a moderados de Nb, Zr e ETRP, assinatura esta típica da Associação Shoshonítica de Lavras do Sul. Os dados de ETR superpõem-se aos típicos de associações de afinidade shoshonítica. O padrão geoquímico do dique de dacito é interpretado como uma modificação do padrão original por supersaturação em voláteis, com a lixiviação de LILE, exceto Ba fixado como barita. Os dados obtidos, comparados a depósitos do tipo cobre-pórfiro vinculados a caldeiras geradas por donwsagging, permitem sugerir que sistemas subvulcânicos monzoníticos metaluminosos, de afinidade shoshonítica, em zonas de recarga magmática, sob condições ricas em voláteis, podem representar sítios preferenciais para mineralizações cobre-pórfiro rico em Au.


Palavras-chave


Rochas hipabissais; Química mineral; Monzonitos; Rochas shoshoníticas.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.